
A jornalista Miriam Leitão criticou nesta segunda-feira (5) a euforia do mercado financeiro após o primeiro turno da eleição presidencial, que colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na GloboNews, ela questionou a alta dos ativos sem que o candidato do PL tenha detalhado medidas fiscais durante a campanha.
“O mercado hoje comemorou. Bolsa subiu, eu vi. Dólar caiu. Felizes da vida. E aí você pergunta, por quê mesmo? Não, porque o Flávio vai fazer o ajuste fiscal, mas qual o ajuste que ele disse? Em algum momento ele explicou o ajuste? Não”, afirmou a comentarista.
Miriam também ironizou as referências genéricas a cortes de despesas e impostos atribuídas ao candidato. “Ele vai dar uma tesourada, mas tesourada é o quê? O que é uma tesourada? Tesourada não é nada, né? Vai cortar imposto, mas qual é o imposto que ele disse que vai cortar?”, disse.
O Ibovespa subiu mais de 7% e atingiu recorde após a divulgação do resultado eleitoral. No mesmo movimento, o dólar caiu cerca de 4%, em uma reação associada por analistas à expectativa de uma agenda econômica mais alinhada aos interesses dos investidores.
Nem a Miriam Leitão aguenta mais a hipocrisia do mercado financeiro podre desse país. Nunca foram isentos ou preocupados com contas públicas. Eles só querem que alguém de direita ou extrema direita governe o país e que se foda o resto. FIM https://t.co/0yAPNcBG1e
— Sérgio Santos (@ZAMENZA) October 6, 2026
Mercado projeta ganhos, mas analistas cobram medidas concretas
Para Miriam Leitão, a leitura otimista não se apoia em compromissos detalhados de Flávio Bolsonaro. “Ele não falou nada de absolutamente com nada concreto, nada, em nenhum momento. É, mas o mercado hoje comemorou”, concluiu.
Bancos e casas de análise passaram a projetar valorização adicional dos ativos em um eventual cenário de vitória do senador. Parte dos analistas, porém, condiciona a continuidade desse movimento à apresentação de um programa de ajuste fiscal e reformas.
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula, e os dois disputarão a votação decisiva em 25 de outubro. A disputa abriu uma nova fase da campanha, com atenção do mercado às propostas econômicas dos dois candidatos.