Frias enviou R$ 441 mil públicos à empresa de ex-subordinada ligada a investigação

O deputado bolsonarista Mário Frias. Foto: reprodução

O deputado federal Mario Frias (PL-SP) repassou ao menos R$ 441 mil de recursos públicos à Estratégia Comunicações, empresa de Jésika Helen dos Santos, conhecida como Jésika Coelho, ligada a uma rede de perfis anônimos investigada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O jornal O Estado de S. Paulo revelou os pagamentos nesta sexta-feira (02).

Do total, R$ 361 mil saíram da cota parlamentar de Frias entre 2023 e maio de 2026. O deputado contratou a empresa para divulgar sua atividade parlamentar e fez pagamentos mensais de R$ 7.500, que em alguns casos chegaram a R$ 15 mil.

Outros R$ 80 mil vieram dos fundos eleitoral e partidário destinados à campanha de reeleição do parlamentar. Frias recebeu R$ 2,7 milhões dessas verbas, conforme os dados registrados no Divulgacand.

Jésika abriu a Estratégia Comunicações em janeiro de 2023, pouco antes de Frias assumir o mandato na Câmara. Entre 2021 e 2022, ela trabalhou na Secretaria Especial da Cultura, quando o deputado comandava o órgão, como diretora do Departamento de Empreendedorismo Cultural.

Jéssika Coelho e Mario Frias (à direita), então secretário especial da Cultura no governo Bolsonaro Foto: Reprodução

Empresa recebeu mais de R$ 1 milhão de gabinetes e campanhas bolsonaristas

Desde novembro de 2025, Jésika está lotada no gabinete do líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB). Além de Frias, outros cinco deputados do PL contrataram a empresa com recursos da cota parlamentar, em pagamentos que somaram R$ 802 mil entre 2023 e 2026.

Na campanha eleitoral, a empresa recebeu mais R$ 260 mil do fundo eleitoral: R$ 80 mil de Frias e R$ 180 mil de Vanessa da Silva Oliveira, a Negona do Bolsonaro, candidata do PL a deputada federal pelo Rio de Janeiro. Os contratos de gabinetes e campanhas levaram mais de R$ 1 milhão de dinheiro público à empresa.

Fontes ouvidas pelo Estadão afirmaram que Jésika administra perfis que reúnem mais de 5 milhões de seguidores. As contas fizeram publicações em coautoria no Instagram com páginas de apoio a candidatos bolsonaristas.

O TSE abriu investigação preliminar após uma representação de partidos de esquerda e centro-esquerda. A ação aponta possível abuso de poder econômico e político por Frias, pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e por seu vice, Alfredo Gaspar (PL).

Os autores da representação sustentam que a rede usou publicações em colaboração para contornar regras sobre impulsionamento e disparos em massa, além de possivelmente descumprir a identificação de conteúdos produzidos com inteligência artificial.

O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, mandou a Meta fornecer dados dos perfis, preservar as informações e suspender a divulgação de sites de comércio eletrônico vinculados às contas. Frias e Cabo Gilberto não responderam ao jornal; Jésika não negou administrar a rede, mas não quis se manifestar.

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