
O conselho de administração do Grupo Globo referendou o cancelamento do debate presidencial que a emissora promoveria nesta quinta (1º), após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alterarem as regras acertadas com os partidos. A alta direção passou a considerar a suspensão do encontro ao longo do dia, segundo o blog F5 na Folha de S.Paulo.
O colegiado reúne executivos e integrantes da família Marinho, entre eles Carlos Henrique Schroeder, Paulo Marinho, Roberto Marinho Neto, Alberto Pecegueiro, Rodrigo Xavier e Paula Bellizia. A orientação era cancelar o evento caso novas decisões mudassem as condições estabelecidas para a realização do confronto.
Desde terça (29), quando Kassio Nunes Marques determinou a inclusão de candidatos do Novo nos debates da Globo, o conselho avaliava que o Judiciário interferia em uma definição que caberia à emissora. A decisão abriu espaço para a participação de Romeu Zema e de André Marinho, candidato ao governo do Rio de Janeiro.
Na quinta, a direção manteve o debate sob risco de cancelamento caso surgisse outra ordem judicial sobre suas regras. A decisão favorável à participação de Renan Santos e a posterior desistência de Flávio Bolsonaro (PL) levaram a Globo a acionar o protocolo de suspensão.

Decisões ampliaram lista de convidados e restringiram exibição de púlpitos
A Globo havia convidado Lula (PT), Flávio, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). A determinação de Kassio, na terça, obrigou a emissora a estender o convite a Zema.
Lula comunicou na quarta (30) que não participaria do debate. O PT avaliou que os demais candidatos concentrariam ataques contra o petista, enquanto ele teria tempo limitado para responder; no horário do evento, o petista concedeu entrevista ao podcast “Flow”.
O partido Missão recorreu ao TSE e ao STF para pedir a participação de Renan, sob o argumento de que ele havia sido chamado para todos os eventos eleitorais da empresa. Kassio rejeitou inicialmente o pedido ao afirmar que o partido não alcançava o mínimo de cinco parlamentares exigido para a convocação.
Horas antes do debate, Gilmar Mendes atendeu ao pedido de Renan Santos e determinou que a Globo o convidasse. No início da noite, a ministra do TSE Estela Aranha também proibiu a emissora de mostrar os púlpitos de candidatos ausentes; depois dessas decisões, Flávio anunciou que não participaria e chamou a medida de “censura” em uma live com aliados.