Desde o armistício com Michelle, em julho, a candidatura de Flavio avança gradualmente. É um fenômeno que a ciência política norte-americana chama de “candidato teflon”: aquele em quem nenhuma acusação parece grudar. A expressão, criada nos anos 1980 para descrever como Ronald Reagan atravessava os escândalos de sua administração sem grandes danos políticos, ajuda a explicar a estratégia bolsonarista. Em vez de gastar tempo confrontando-se com os fatos, Flávio investe no seu maior ativo eleitoral: ele não é Lula. Para muitos eleitores, isso é suficiente. O posto, aliás, já foi ocupado pelo presidente Lula no auge dos grandes escândalos que sacudiram a política brasileira durante os governos petistas — do mensalão à Lava Jato — sem que sua força eleitoral desaparecesse. Agora, Flávio parece disputar essa couraça. Num país em que a rejeição muitas vezes pesa mais que a admiração, sobreviver politicamente pode depender menos de convencer do que de resistir. A política brasileira talvez tenha trocado de teflon, mas a frigideira continua a mesma. (Foto: Reprodução/ Instagram)