Tesoureiro viciado em bets é condenado por desviar R$ 13 milhões de prefeitura

Prédio da Prefeitura de Barra Mansa. Foto: reprodução

A Justiça do Rio de Janeiro condenou o ex-tesoureiro da Prefeitura de Barra Mansa, Matheus Borges de Oliveira, a oito anos, 10 meses e 20 dias de prisão por desviar mais de R$ 13 milhões de recursos públicos destinados a fundos assistenciais do município. Segundo informações do Metrópoles, ele estava viciado em apostas online, destinando parte do valor às bets.

Matheus, servidor concursado há 13 anos, ocupava há cinco anos o cargo de confiança de tesoureiro na Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos. A sentença o responsabilizou por peculato-desvio e inserção de dados falsos em sistema de informações.

O ex-tesoureiro cumprirá a pena inicialmente em regime fechado. A decisão também determinou a perda do cargo público, manteve sua prisão preventiva e impediu que ele recorra em liberdade.

Auditoria contábil e tomada de contas especial da prefeitura identificaram desvios sistemáticos entre 2020 e 2025. O levantamento apontou retiradas de recursos do Fundo Municipal de Assistência Social, do Fundo dos Direitos do Idoso, do Fundo para Criança e Adolescente e do programa Restaurante do Povo.

Plataforma de bet em celular. Foto: Reprodução

Transferências atingiram fundos assistenciais de Barra Mansa

Matheus tinha acesso exclusivo às contas e senhas dos fundos e realizou transferências irregulares por Pix, inclusive durante madrugadas, férias e períodos fora do expediente. Os valores seguiram para sua conta pessoal, para a conta de seu pai e para empresas sem vínculo contratual com a prefeitura.

Durante as investigações, o ex-tesoureiro afirmou que os desvios aumentaram depois que desenvolveu vício em apostas em plataformas digitais. Em petição apresentada no processo, ele declarou ter movimentado R$ 60 milhões em jogos de azar ao longo de 2025.

A Justiça considerou a quantia incompatível com os rendimentos de um servidor municipal. A decisão cita a tomada de contas especial e afirma que a materialidade do crime ficou parcialmente comprovada pelo levantamento de irregularidades que apontou desvio superior a R$ 13 milhões no período analisado.

Matheus relatou às autoridades que usava os recursos retirados das contas públicas para cobrir perdas acumuladas nas apostas, na tentativa de recuperar o dinheiro e repor os valores nos fundos municipais. A sentença fixou o pagamento mínimo de R$ 13 milhões para reparar os danos ao patrimônio público; a defesa não respondeu aos pedidos de manifestação até o fechamento da reportagem.

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