
A candidatura de Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado por Santa Catarina enfrenta resistência entre aliados da direita, críticas por sua ligação rasa com o estado e uma disputa apertada pelas duas vagas em jogo. O ex-vereador do Rio de Janeiro concorre com a deputada federal Carol de Toni (PL-SC) e o senador Esperidião Amin (PP-SC), que busca a reeleição.
Pesquisa Quaest divulgada no dia 24 apontou empate técnico entre os três nomes, com Carol de Toni numericamente à frente. Como o eleitor poderá votar em dois candidatos ao Senado, lideranças partidárias e analistas consideram o resultado aberto até a apuração.
O ex-presidente Jair Bolsonaro definiu o nome do filho para a disputa, contrariando setores que defendiam uma chapa formada por Carol de Toni e Amin. O senador do PP seguiu candidato, recebeu apoio de lideranças de centro e passou a disputar o mesmo eleitorado bolsonarista dos dois candidatos do PL.
Parte dos dirigentes da coligação de Jorginho Mello (PL-SC) avalia que a entrada de Carluxo deslocou quadros locais e pode deixar Amin ou Carol fora do Senado. Embora evitem críticas públicas na reta final, candidatos de partidos aliados têm omitido o nome de Carlos de materiais eleitorais.

Materiais de aliados omitem nome de Carlos Bolsonaro
O deputado federal Jorge Goetten, candidato à reeleição, incluiu em seu santinho os números de Carol de Toni, Jorginho Mello e Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, mas deixou em branco o espaço destinado ao segundo nome para o Senado. Movimento semelhante aparece em candidaturas do Novo e do Podemos, partidos que integram a coligação estadual.
Adversários exploram a origem carioca de Carlos e sua pouca presença em Santa Catarina. O ato que o PL planejava realizar em Criciúma acabou adiado pelas fortes chuvas no estado, enquanto ausências em debates e sabatinas alimentaram críticas à campanha do candidato.
O governador Jorginho Mello saiu em defesa do ex-vereador e afirmou que o local de nascimento não deveria definir a candidatura. “O que importa é o compromisso com Santa Catarina”, disse, acrescentando que Carlos escolheu viver no estado entre os mais de 500 mil migrantes recebidos nos últimos anos.
A troca de ataques entre Carlos e Amin se intensificou na última semana. Carlos tentou associar o adversário ao governo Lula e compartilhou uma alegação falsa de que o senador votou a favor da reforma tributária; Amin respondeu com ironia: “Você estava vindo para o debate ou indo para o Rio de Janeiro?”