Lula cobra decisão dos empresários na eleição: “experiência ou falta de biografia?”

“Se vocês tivessem uma dúvida entre mim e um gênio… mas vocês não estão fazendo essa escolha.” Com essa declaração, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resumiu o contraste entre a experiência de gestão e a falta de biografia executiva do candidato da extrema direita na disputa presidencial.

Em jantar com cerca de 700 representantes do setor produtivo, na noite de sexta-feira (25), em São Paulo, o presidente pediu voto no primeiro turno, no dia 4 de outubro, e apresentou a chapa formada com o vice-presidente Geraldo Alckmin como a única capacitada para conduzir o país com estabilidade.

O encontro no Hotel Tivoli Mofarrej reuniu executivos de grandes empresas e instituições financeiras, como Vale, Itaú, J&F, Cosan e Magazine Luiza. Organizado pelos grupos Esfera Brasil, Prerrogativas e Parlatório, o evento contou com a presença de ministros da área econômica. Em tom direto ao empresariado, Lula frisou que a escolha eleitoral se dá entre projetos opostos. “Não quero casar com vocês. Só quero votos”, afirmou, questionando os presentes: “O que vocês querem é um país governado apenas para 35% da população, ou um país governado para 100% da população?”

O eixo político da intervenção do presidente foi a comparação entre a capacidade comprovada de governo. Apontando para Geraldo Alckmin, Lula falou que “vocês estão diante de um cara que governou o estado mais rico por 16 anos e o único presidente que governou por 12 anos. Qual é a dúvida?”, perguntou.

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Lula sustentou que a condução do Estado exige trajetória e responsabilidade. “O governante tem que ter uma biografia, tem que ter uma história. Se não tiver história, não governa.” Ele sintetizou o momento político do país ao afirmar que a decisão esta entre “o regime democrático ou a barbárie.”

No campo econômico, o presidente apresentou dados da gestão para demonstrar o compromisso com o desenvolvimento e a responsabilidade fiscal. Lembrou que herdou um déficit público de 2,8% do PIB e projetou o resultado de 0,1% para este ano, além de destacar o pagamento de R$ 94 bilhões em precatórios deixados sem orçamento pela gestão anterior e a aprovação da reforma tributária com uma bancada de 70 deputados e nove senadores. “Estabilidade fiscal é uma coisa obrigatória. Quanto mais as contas estiverem desajustadas, quem vai pagar o preço é o povo pobre”, declarou.

Lula criticou as receitas de corte em investimento social e Previdência. “Quando você vê alguém dizer que precisa cortar gasto com previdência e inclusão social, você está fazendo o que historicamente não funcionou neste país. É empobrecer os pobres.” O presidente ressaltou que a inclusão social e o fortalecimento do mercado interno reverteram o cenário de 33 milhões de pessoas na fome. Ao abordar a política monetária, lembrou a contradição da cobrança empresarial por juros baixos: “Vocês cobram a redução da taxa de juros, mas vocês brigaram pelo Banco Central independente. Foram vocês que pediram, não eu.”

Ao defender a soberania nacional na exploração de terras raras e minerais críticos, Lula citou o escritor Eduardo Galeano para recordar que, no ciclo do ouro, “o Brasil ficou com o buraco, Portugal ficou com os palácios e a Inglaterra fez política industrial”. O presidente defendeu a industrialização local dos recursos estratégicos, além do desenvolvimento nacional de inteligência artificial e data centers. No encerramento, reforçou o apelo ao voto no dia 4 de outubro: “Vocês podem votar e serão recompensados: o país vai crescer de novo e vamos transformar este país num país em que a sociedade brasileira tenha mais dignidade.”

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