Prejuízo bilionário? O impacto do fim das bets nos clubes brasileiros

Gráfico com os dez clubes brasileiros de maior receita em 2025
Jogadores de Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Flamengo. Foto: reprodução

As casas de apostas pagaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 clubes brasileiros de maior receita em 2025, valor equivalente a cerca de 36% das receitas de marketing dessas equipes. A possível proibição das bets anunciada pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou esses contratos sob risco e provocou reação de clubes e federações.

O levantamento da Sports Value aponta que a dependência pode ser ainda maior em casos específicos. No São Paulo, por exemplo, as bets responderam por 73% da receita obtida com patrocínios, que integra a categoria de marketing dos balanços dos clubes.

O governo anunciou na sexta-feira (25) que pretende proibir apostas e jogos virtuais online no país por medida provisória. Para se tornar lei definitiva, a medida precisará da aprovação da Câmara dos Deputados e do Senado em até 120 dias.

Casas de apostas já avisaram clubes patrocinados de que poderão encerrar os contratos caso a proibição entre em vigor. Após receberem os comunicados, clubes e federações divulgaram um manifesto pela manutenção de um mercado regulado de apostas.

Contratos com bets viraram fonte relevante de receita

As apostas de quota fixa ganharam espaço no futebol brasileiro após 2018, quando a legislação autorizou esse tipo de operação. Em 2022, os 20 clubes analisados somavam R$ 1,426 bilhão em receitas de marketing; em 2025, o total chegou a R$ 3,166 bilhões.

Os patrocínios das bets avançaram de R$ 618 milhões em 2024 para R$ 1,143 bilhão no ano seguinte. Para Amir Somoggi, diretor da Sports Value, as empresas elevaram os valores cobrados por espaços comerciais nas camisas e em outras propriedades dos clubes.

“Eu acredito que houve uma acomodação, que eu costumo chamar de ‘easy money’, um dinheiro fácil. Como é tudo digital, você não tem que fazer nada, não faz nenhuma ação realmente contundente. Hoje, a bet paga esse dinheiro fácil de cotas inflacionadas, pagando muito mais do que vale”, afirmou Somoggi ao g1.

Amir Somoggi, diretor da Sports Value. Foto: reprodução

O especialista citou o uso de contratos de patrocínio como garantia para antecipação de recebíveis em bancos. Segundo ele, clubes endividados e mais dependentes das bets, como Corinthians e São Paulo, podem antecipar valores futuros e pagar juros para obter recursos antes dos pagamentos previstos.

Se um contrato for interrompido após essa antecipação, o clube pode perder uma receita incluída no orçamento e manter obrigações financeiras estruturadas a partir dela. Somoggi avalia que, nessa situação, as equipes precisariam cortar despesas ou buscar substitutos para os patrocínios em prazo curto.

Bancos, seguradoras, empresas de cartões, montadoras e companhias de alimentos estão entre os setores apontados como possíveis ocupantes dos espaços deixados pelas bets. A troca, porém, dependerá do interesse dessas empresas e de negociações capazes de sustentar valores próximos aos contratos atuais.

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