Lula defende STF sem sigilo e cobra apuração “doa a quem doer”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (10) que o Supremo Tribunal Federal precisa “apurar tudo, divulgar tudo, doa a quem doer” para recuperar o prestígio diante da sociedade. A declaração foi dada em entrevista de 30 minutos ao SBT Brasil, gravada no Palácio da Alvorada e conduzida pelas jornalistas Basília Rodrigues e Marina Demori.

Lula rejeitou a tese de que uma investigação da Corte deveria contaminar a disputa eleitoral, mas denunciou o uso político de informações reservadas, apontando que, quando chega o período eleitoral, as pessoas começam a fazer vazamentos seletivos com viés político que prejudicam a política e a credibilidade institucional. O presidente atribuiu ao magistrado a responsabilidade pela guarda do sigilo, destacando que cabe ao juiz evitar que dados sigilosos vazem no interesse de terceiros, e defendeu a transparência plena em vez do gotejamento de meias informações.

O presidente elogiou as primeiras medidas do presidente do STF, Edson Fachin, afirmando que “ele vai ter que pegar esse processo e trazer para ele, colocar ordem na casa e fazer com que a Suprema Corte faça um processo de apuração”, embora tenha ressalvado que Fachin “não terminou de tomar as atitudes”.

Lula classificou como inaceitável o espetáculo de acusações cruzadas entre ministros e alertou que, “se a Suprema Corte vira uma balbúrdia, ninguém conversa com ninguém, ninguém confia em ninguém, todo mundo acusa todo mundo. O presidente tem que assumir o presidencialismo e colocar ordem na casa.”

Questionado sobre a investigação do ministro Alexandre de Moraes, Lula disse que “todo mundo tem que ser investigado. Do presidente da Suprema Corte ao presidente da República, do mais simples catador de papel de qualquer rua desse Brasil ao mais rico empresário”. Por fim, cravou sobre os culpados: “Se o Alexandre de Moraes é culpado, ele tem que pagar. Se o Mendonça é culpado, ele tem que pagar. Se o Fachin é culpado, ele tem que pagar. A lei acima de tudo, e a verdade seja soberana.”

O presidente afirmou também que a defesa da abertura completa de sigilos vale igualmente para as apurações envolvendo o Banco Master e inclusive o INSS. “Foi a primeira coisa que pedi. Eu não gosto de investigação sigilosa”, declarou. O petista sustentou que investigação séria se faz com publicidade, alertando que “o que você não pode é ficar soltando meias informações, com meias palavras, criando suspeita sobre todo mundo, sem dizer quem é o culpado”.

Lula disse ser favorável a “abrir tudo” sempre que a denúncia envolver o Judiciário ou a política, argumentando que “a gente não sabe a qualidade da informação também da Polícia Federal” ou do Ministério Público. O objetivo, segundo ele, é permitir que a sociedade compreenda o resultado, sendo “muito melhor que se abra para todo mundo saber o que está acontecendo, para que as pessoas, ao tomar decisão, saibam por que alguém foi culpado e por que alguém foi inocentado”.

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