
O diretor de estratégia sindical da Federação Nacional dos Policiais Federais, Flávio Werneck, afirma que uma parcela expressiva da categoria defende a retirada total do sigilo das investigações do Banco Master e das fraudes no INSS que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, o desgaste provocado pela atuação do ministro André Mendonça aumentou a cobrança interna por transparência integral dos procedimentos. Com informações da coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.
Werneck diz acompanhar ao menos sete grupos formados por integrantes de diferentes áreas e posições políticas da Polícia Federal. Segundo seu relato, membros da corporação interpretam o afastamento de Andrei Rodrigues determinado por Mendonça como uma ingerência indevida sobre a instituição. Werneck está licenciado da função sindical e disputa uma vaga de deputado federal pelo PDT no Distrito Federal, circunstância que precisa ser considerada ao atribuir a ele as avaliações políticas sobre a crise.
O dirigente também acusa Mendonça de fazer “uso político” da PF ao divulgar trechos específicos de documentos para atingir determinados alvos. Na avaliação dele, a exposição seletiva pode prejudicar o andamento das apurações e até produzir questionamentos sobre a validade dos procedimentos. Essa é uma avaliação de Werneck e não uma conclusão formal da Polícia Federal ou de decisão judicial.
A reação ocorre depois de Mendonça afastar Andrei e Leandro Almada e determinar apurações sobre relatórios de inteligência produzidos pela corporação. A insatisfação entre investigadores já havia aparecido antes: delegados que trabalham em inquéritos relatados pelo ministro passaram a cogitar deixar as equipes, incluindo procedimentos relacionados ao Master e ao INSS.

Werneck também contesta uma comparação feita por Mendonça entre os relatórios recentes da PF e os dossiês produzidos sobre policiais, servidores e professores identificados com movimentos antifascistas durante o governo Jair Bolsonaro. Esses documentos foram elaborados em 2020, quando Mendonça comandava o Ministério da Justiça. Para o dirigente sindical, os dois episódios têm natureza distinta.
Outro argumento apresentado por Werneck é o contraste entre a postura atual de Mendonça e sua atuação durante o governo Bolsonaro, período em que a Polícia Federal teve quatro mudanças no comando. Segundo ele, não houve à época questionamento semelhante do então ministro sobre a sucessão de trocas na direção da corporação.
A defesa da abertura das investigações também passou a ser feita pelo presidente Lula. Nesta quarta-feira, Lula cobrou a “quebra completa do sigilo” no caso Master e afirmou que as apurações devem alcançar todos os envolvidos, “doa a quem doer”. As manifestações são independentes entre si, mas colocam no centro da crise uma mesma discussão: se a publicidade integral dos documentos pode reduzir acusações de seleção política de informações e permitir que o conteúdo das investigações seja examinado em seu conjunto.