“Vai soltar todo mundo?”: Lindbergh reage a decisões de Mendonça no caso INSS

Lindbergh Farias
O deputado federal Lindbergh Farias (PT). Foto; Pedro Ladeira/Folhapress

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) fez nesta quarta-feira (9) uma ofensiva contra André Mendonça após uma sequência de decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal que flexibilizaram prisões e outras medidas cautelares de investigados no escândalo do INSS. O petista afirmou que Mendonça “abriu a porteira dos presídios” e questionou se haveria temor de que delações relacionadas ao Banco Master produzam novas revelações envolvendo a campanha de Flávio Bolsonaro.

O estopim foi a decisão de Mendonça que determinou a soltura de Romeu Carvalho Antunes, filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Romeu estava preso preventivamente desde dezembro e a PF o apontava como um dos principais operadores administrativos do grupo investigado e suspeita que empresas ligadas à família tenham sido usadas para movimentar recursos provenientes das fraudes. Ele deixou a prisão, mas passou a usar tornozeleira eletrônica e ficou sujeito a restrições de deslocamento e contato com outros investigados. O pai permanece preso.

Um dia antes, Mendonça mandou soltar Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS apontado pela PF como homem de confiança do Careca. O ministro também substituiu por tornozeleira a prisão de Samuel Bomfim Júnior e retirou monitoramento eletrônico de Pedro Corrêa Neto, Gilmar Stelo e José Carlos Oliveira, que hoje se chama Ahmed Mohamad Oliveira Andrade. As medidas não representam absolvição nem encerramento das investigações: Mendonça sustentou que o avanço das diligências permitia substituir cautelares mais severas por restrições menos intensas.

“Vai soltar todo mundo?”, perguntou Lindbergh. Ele também associou a sequência ao embate recente entre Mendonça e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O deputado lembrou que a PF sob o comando de Andrei conduziu as operações que prenderam investigados do INSS e Daniel Vorcaro e questionou por que Mendonça tentou afastar o delegado da direção da corporação. O afastamento determinado pelo ministro desencadeou uma guerra de decisões no STF e acabou suspenso pela Presidência da Corte.

O ataque político de Lindbergh avançou então para o caso Master. No mesmo dia em que Romeu foi solto, Mendonça homologou a delação de Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, operador financeiro de Vorcaro que realizou remessas para o fundo estadunidense utilizado no financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro já reconheceu que pediu dinheiro a Vorcaro para a produção e que cobrou novos pagamentos, embora negue ter recebido vantagem pessoal ou oferecido qualquer contrapartida ao ex-banqueiro.

“E o próximo passo será soltar Vorcaro? Será que também vão abrir a porta para o banqueiro antes que ele conte tudo o que sabe sobre Flávio Bolsonaro?”, afirmou Lindbergh, antes de cobrar a abertura dos sigilos de “Dark Horse”. A preocupação com novos desdobramentos não surgiu apenas no discurso do petista: integrantes da própria campanha de Flávio Bolsonaro já demonstraram receio de novas revelações sobre a relação com Vorcaro.

Não há, porém, elemento conhecido que demonstre que Mendonça tenha flexibilizado prisões no caso INSS para proteger Flávio Bolsonaro ou impedir delações. Essa ligação é uma acusação política levantada por Lindbergh. O que está documentado é a concentração, em poucos dias, de decisões favoráveis a investigados da Operação Sem Desconto, a tentativa de afastamento de Andrei e o avanço simultâneo de uma delação que alcança o circuito financeiro de “Dark Horse”. É sobre essa coincidência de movimentos que o petista tenta aumentar a pressão pública por transparência integral nos casos sob relatoria de Mendonça.

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