Vorcaro reage e tenta esvaziar delação que alcança aliado de Eduardo Bolsonaro

Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro deixando o Centro de Detenção Provisória em Guarulhos. Foto: Fábio Vieira/Estadão

A defesa de Daniel Vorcaro prepara uma ofensiva contra os acordos de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, e João Carlos Mansur, fundador da Reag. Segundo a coluna de Andreza Matais, no Metrópoles, os advogados do ex-controlador do Banco Master vão sustentar que as informações apresentadas pelos dois colaboradores já constavam de propostas de delação do próprio Vorcaro que foram recusadas pela Procuradoria-Geral da República.

A tese da defesa, portanto, será atacar o grau de novidade das colaborações. A reportagem não informa por que a PGR rejeitou as propostas apresentadas anteriormente por Vorcaro, nem se a Procuradoria considera que a repetição de informações compromete os acordos fechados posteriormente com outros investigados.

O caso mais explosivo politicamente é o de Mineiro. Seu acordo já foi homologado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal. O empresário relatou pagamentos em dinheiro vivo feitos a pedido de Vorcaro e também operações de sua empresa no circuito financeiro ligado a “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo o Metrópoles, o pedido de recursos para o projeto partiu de Flávio Bolsonaro.

Na colaboração, Mineiro afirmou ter realizado sete transferências que somaram US$ 12,3 milhões ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, a pedido de Vorcaro. O fundo estava ligado à estrutura de financiamento do filme e é administrado por Paulo Calixto, advogado próximo de Eduardo Bolsonaro. O relato sobre essas transferências é distinto das operações com dinheiro vivo descritas pelo delator, e não permite afirmar que as malas de dinheiro mencionadas por ele tenham sido destinadas ao filme ou à família Bolsonaro.

João Carlos Mansur Reag
O fundador da Reag, João Carlos Mansur. Foto: Gabriela Biló/Folhapress

A segunda frente é a delação de João Carlos Mansur. A proposta apresentada pelo fundador da Reag já previa 17 anexos e pagamento de cerca de R$ 40 milhões. Agora, segundo o Metrópoles, o acordo foi fechado com a PGR. O principal eixo seria a atuação da gestora em estruturas que podem ter sido usadas para ocultar valores relacionados ao Banco Master. Não há informação pública, até o momento, de que Flávio Bolsonaro esteja citado nos anexos de Mansur.

A Reag se tornou peça relevante nas investigações porque administrava uma rede complexa de fundos e mantinha relações com diferentes empresas e investidores. A Operação Carbono Oculto também identificou estruturas da gestora em operações financeiras ligadas a empresas que, segundo a Polícia Federal, integravam esquemas de lavagem de dinheiro associados ao PCC. A existência desses clientes, porém, não significa que todos os investidores ou contratantes da Reag tenham participado de irregularidades.

A reação de Vorcaro ocorre justamente quando as colaborações passam a aumentar a quantidade de versões, documentos e caminhos financeiros sob análise dos investigadores. A defesa tentará demonstrar que os delatores estão apresentando como colaboração informações que o próprio banqueiro já havia oferecido à PGR. O embate agora será sobre o valor desses relatos e sobre o que pode ser efetivamente corroborado nas investigações do Master, da Reag e dos repasses ligados a “Dark Horse”.

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