
O empresário Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como Faraó dos Bitcoins, afirmou em depoimento que uma carteira de criptomoedas mantida em um cofre da Polícia Federal pode conter valores suficientes para pagar os credores da G.A.S. Consultoria. O dispositivo depende de uma senha que, segundo ele, não está disponível para as autoridades.
Questionado sobre a existência de uma quantia vultosa na carteira digital, Glaidson respondeu: “Existe”. Ao ser perguntado se o dinheiro permitiria quitar todos os credores, afirmou: “Dá, dá”. Ele não informou qual seria o valor guardado no aparelho.
A carteira é uma cold wallet, ou carteira fria, usada para proteger ativos digitais fora da internet. O equipamento não armazena fisicamente as criptomoedas, mas reúne dados necessários para acessar as chaves privadas que permitem movimentar os valores.
Glaidson disse que controlava os ativos por meio dessas senhas e alertou que as criptomoedas poderiam se perder definitivamente caso ninguém tivesse acesso às informações. Em outro trecho do depoimento, declarou: “A senha agora de cabeça eu não sei, mas tá lá. Tá tudo lá”.

Dívida da G.A.S. chega a quase R$ 3 bilhões
A carteira ganhou relevância no processo de recuperação de recursos ligados à G.A.S. Consultoria, empresa fundada por Glaidson em Cabo Frio, no Rio de Janeiro. A companhia atraiu investidores com promessa de rendimento mensal de 10%.
A Polícia Federal calcula que a rede informal de investimentos movimentou mais de R$ 38 bilhões. A massa falida da empresa reúne uma lista com mais de 77 mil pessoas e empresas credoras, enquanto a dívida total se aproxima de R$ 3 bilhões.
As investigações indicaram que, após a prisão de Glaidson em 2021, parte das criptomoedas continuou a circular. O Ministério Público Federal apontou que 4.500 bitcoins saíram de uma conta naquele ano, montante que então superava R$ 1 bilhão.
Mireles Dias Zerpa, mulher e sócia de Glaidson, estava nos Estados Unidos no período da movimentação. O MPF identificou acesso a um computador em Kissimmee, na Flórida, cidade onde ela se encontrava. Mireles nega ter administrado os recursos da empresa.
A defesa de Mireles sustenta que os bitcoins foram usados para devolver dinheiro a clientes e nega que ela tenha ficado com R$ 1 bilhão. Já os advogados de Glaidson afirmam que ele é inocente, contestam a lista de credores e dizem que a interrupção dos pagamentos ocorreu por ordem judicial.
Preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, Glaidson responde por organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro. O MPF pediu a condenação dele, de Mireles e de outras 15 pessoas; as penas podem superar 37 anos de prisão em caso de condenação.