
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condenou o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, por fraude em uma operação com o fundo imobiliário Brazil Realty. Na decisão unânime tomada na terça-feira (8), o colegiado também aplicou multa de R$ 12,5 milhões ao Banco Master.
O processo tratou da formação e da negociação de cotas do Brazil Realty. A acusação apontou que o grupo usou imóveis com valores artificialmente inflados para dar aparência de patrimônio ao fundo e atrair compradores.
Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, e Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, também receberam condenação no processo administrativo da CVM. A decisão incluiu ainda pessoas e empresas que atuaram na operação investigada.
Foram sancionadas a Viking Participações, empresa que pertencia a Vorcaro, a Entre Investimentos, seu então diretor responsável, Antônio Carlos Freixo Júnior, e Benjamim Botelho de Almeida, dono da Sefer Investimentos.

Acusação apontou imóveis superfaturados e liquidez artificial
Segundo a acusação acolhida pela CVM, os envolvidos “engordaram” o fundo com imóveis que tinham valor elevado apenas nos documentos usados na estruturação da operação. Os autos indicaram o uso de laudos falsos para reavaliar os ativos.
Em um dos episódios analisados, um imóvel passou de R$ 7 milhões para R$ 70 milhões após uma reavaliação considerada falsa. A alteração elevou o patrimônio atribuído ao Brazil Realty e ajudou a sustentar o preço das cotas.
Após constituir o fundo com os imóveis superfaturados, o grupo teria promovido negociações para criar liquidez artificial das cotas. A movimentação sob suspeita alcançou cerca de R$ 350 milhões.
A acusação afirma que as cotas infladas chegaram a investidores comuns e a fundos de investimento do mercado. As sanções administrativas da CVM atingiram os participantes que o colegiado considerou responsáveis pela operação.