Dirigente do PCdoB destaca papel da militância no último mês de campanha

A um mês da eleição, o Entrelinhas Vermelhas desta quinta-feira (3) traz um bate-papo com o secretário nacional de Organização do PCdoB, Altair Freitas. Com o tema “A militância cotidiana na campanha eleitoral”, o programa aborda as bandeiras defendidas pelos comunistas e os desafios desses últimos 30 dias para garantir a vitória do Time de Lula pelo Brasil.

Questionado pelo jornalista Inácio Carvalho sobre o diferencial da militância comunista, Altair aponta: “O PCdoB desenvolve um conjunto de outras lutas para além da disputa eleitoral. É um partido revolucionário com mais de 100 anos de atuação no movimento sindical, na luta antirracista, em defesa da igualdade, pela superação dos preconceitos, além da luta travada no campo econômico. E isso demanda que o partido tenha uma militância permanente”.

Por isso, diz, “quando chega o período eleitoral, essa galera toda se concentra, evidentemente, na busca pelo voto, no diálogo com o povo, com os trabalhadores e trabalhadoras, buscando potencializar as nossas candidaturas”.

Altair acrescenta que “enquanto a maior parte dos partidos — particularmente os da classe dominante — utiliza largamente a contratação de pessoas, o PCdoB prima por colocar em movimento os seus filiados, os seus militantes, seus dirigentes partidários. E isso faz uma grande diferença na qualidade do diálogo com o povo porque a militância tem argumentos para defender as ideias do partido e as propostas das nossas candidaturas”.

Bandeiras centrais

Com relação ao conjunto de bandeiras que o Partido traz como essenciais para a disputa deste ano, o secretário salienta como principal a defesa incontestável da soberania nacional contra os ataques do imperialismo estadunidense, liderado por Donald Trump. “Este é o elemento central, articulador, da política do Partido neste momento”, sublinha.

O segundo elemento, combinado com o primeiro, é a defesa de um novo projeto nacional de desenvolvimento para o Brasil. “O PCdoB está apoiando, mais uma vez, a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas nós dizemos o seguinte: não basta reeleger o presidente. Um próximo governo do campo democrático e popular — que defendemos com o Lula à frente — precisa implementar um projeto transformador na economia, expresso no Programa Socialista do PCdoB”.

Ele lembra que o pilar fundamental desse novo projeto nacional de desenvolvimento é reindustrialização, a partir do qual se estruturam outras questões, como a saúde, a educação, a segurança pública e o meio ambiente, entre outras. “Tudo isso precisa estar combinado com um desenvolvimento econômico potente”, pontua.

Para tanto, Altair salienta ser imperativo o enfrentamento à extrema direita. “O bolsonarismo é a forma como ela aparece no Brasil, mas estamos falando desse avanço da extrema direita em vários países do mundo, que é o que a gente tem chamado genericamente de neofascismo. E, no caso dessa extrema direita do nosso tempo, ela é submissa aos EUA e, no caso do Brasil, promete entregá-lo aos Estados Unidos.”.

Nesse sentido, o dirigente comunista chama atenção para o fato de que o discurso dos comunistas deve “combinar a defesa da soberania nacional com o desmascaramento dessa extrema direita, que se articula em torno da campanha de Flávio Bolsonaro à presidência”.

Altair também alerta para a importância da bandeira de combate ao feminicídio. “O Brasil vive — por força, inclusive, dessas ideias que a extrema direita vem desenvolvendo nos últimos anos — uma espécie de epidemia de feminicídio. Não se passa dia em que a gente não tenha uma notícia de uma mulher que foi atacada por um companheiro ou por um homem”.

Para além dessas lutas mais amplas, o dirigente salienta a necessidade de que o debate da militância na campanha também esteja casada com as demandas populares em cada estado, bem como disputas que envolvem temas como a luta pelo fim da jornada 6×1 e o combate à violência contra a mulher.

Protagonismo feminino

O programa também aborda o protagonismo feminino no Partido. Altair Freitas pondera que o Brasil, devido a um conjunto de deformações do sistema eleitoral, tem uma série de maiorias subrepresentadas — é o caso das mulheres, dos negros e da classe trabalhadora. “Por isso, o PCdoB defende uma reforma politico-partidária, exatamente para poder fortalecer a representação política dessas maiorias”, afirma.

Ao mesmo tempo, ele lembra que, no caso do PCdoB, “houve uma decisão política, construída com a luta das militantes comunistas, no sentido de estabelecer que o nosso partido, que defende o socialismo, a igualdade, o avanço da sociedade, precisa ter responsabilidade com a promoção das mulheres dentro e fora de suas fileiras”.

Tal posicionamento tem resultado no aumento da participação feminina tanto nas instâncias internas do PCdoB, quanto nas candidaturas — que neste ano chegam a 45% de mulheres — e em outros espaços de poder. “Chegamos, no nosso último congresso, àquilo que a gente chama de paridade de gênero: o nosso Comitê Central tem 50% de mulheres e 50% de homens. E a partir do CC, essa paridade vai se disseminando pela o restante da estrutura partidária”, explica.

Fortalecimento partidário

Ao falar do período eleitoral como um momento especial de luta dos comunistas, Altair salienta, ainda, que a proximidade da militância com a população também ajuda na organização e fortalecimento do partido, o que vem se refletindo no crescimento da adesão ao PCdoB.

“No período de fevereiro até meados de agosto, a gente teve, somente através do pcdob.org.br, algo em torno de quatro mil pedidos de filiação. Ao mesmo tempo, as campanhas vêm nos relatando que muita gente as procura tanto para apoiar as nossas candidaturas quanto para se filiar ao PCdoB. Então, as campanhas eleitorais acabam sendo também um elemento para impulsionador o crescimento do Partido”.

Por fim, Altair enfatiza a importância do empenho da militância comunista neste último mês de campanha: “Pelas características gerais da política no Brasil, o povo define seu voto (especialmente para deputados e senador) na reta final. Então, nossa primeira orientação é, na medida do possível, voltar naquelas áreas onde fizemos pré-campanha, com material, pedindo o voto com o número das candidaturas — porque no Brasil é o número, não é o nome, que conta. É preciso repassar e amarrar o voto”.

Além disso, diz, “cada militante, cada camarada e apoiador, deve conversar com parentes, amigos, vizinhos. Isso é muito importante, combinado, evidentemente, com a disputa mais ampla de comunicação, de propaganda, de redes, além da realização de grandes atividades”.

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