
Os deputados federais Lindbergh Farias e Rogério Correia pediram à Procuradoria-Geral da República (PGR), nesta quarta (3), a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o deputado federal Nikolas Ferreira, o banqueiro Daniel Vorcaro e o advogado e ex-assessor Thiago Faria. A notícia de fato solicita a apuração de possíveis crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, advocacia administrativa e delitos conexos.
A representação se baseia em mensagens e áudios que, segundo os parlamentares, indicam uma relação entre Vorcaro e Nikolas seguida por uma tentativa de interferência na atuação do deputado. Os autores querem esclarecer se vantagens privadas influenciaram decisões ligadas ao mandato parlamentar.
Em uma das mensagens incluídas na petição, Vorcaro teria afirmado: “Esse Nikolas eu banquei todos os voos dele”. Os deslocamentos aéreos teriam ocorrido depois da eleição de Nikolas, em 2022.
Em abril de 2024, Nikolas criticou um evento patrocinado pelo Banco Master e cogitou acionar a Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A representação afirma que Vorcaro mobilizou interlocutores para conter o parlamentar e questionou se ambos estavam “do mesmo lado”.
🇧🇷 Em áudios, Nikolas Ferreira chama Vorcaro de ‘lindão’ e cobra liberação de ativo minerário, revela o site ICL Notícias.pic.twitter.com/LjWBLJBR3X
— Eixo Político (@eixopolitico) September 3, 2026
Mensagens após a cobrança e negócio minerário
Após as cobranças, as conversas registraram um pedido de perdão, uma manifestação de “gratidão” e a informação de que uma publicação teria sido retirada. Outra mensagem colocou Nikolas na “categoria amigo”.
Lindbergh e Rogério sustentam que a sequência precisa de investigação para determinar se houve condicionamento da atividade parlamentar em razão das supostas vantagens recebidas. A petição não trata as mensagens como prova conclusiva dos crimes, mas como elementos que justificariam a abertura de uma apuração.
A representação também relata que, em março de 2025, Nikolas procurou Vorcaro, chamou o banqueiro de “Dani” e “lindão” e pediu ajuda para um negócio minerário de interesse de Thiago Faria. O advogado e ex-assessor acabou posteriormente relacionado a empresas investigadas na Operação Rejeito.
O contrato ligado ao negócio previa remuneração de 25% do lucro de uma operação estimada entre US$ 30 milhões e US$ 45 milhões. Os deputados pedem que a PGR obtenha as comunicações integrais de Vorcaro, identifique os voos custeados em favor de Nikolas, investigue os contatos sobre o empreendimento e solicite ao STF, se necessário, o afastamento de sigilos.