Mark Ruffalo é acusado de antissemitismo pela Paramount e recebe apoio de artistas judeus

Ator americano Mark Ruffalo
O ator americano Mark Ruffalo. Foto: Reprodução

O ator americano Mark Ruffalo recebeu o apoio público de mais de 180 figuras judaicas da indústria do entretenimento e de outros setores após a Paramount acusá-lo de antissemitismo. Joaquin Phoenix, Jonathan Glazer, Joel Coen, Todd Haynes e Hannah Einbinder estão entre os signatários de uma carta em defesa do artista.

A disputa começou depois que Ruffalo criticou nas redes sociais, em 21 de agosto, a proposta de fusão entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery. O ator questionou os possíveis efeitos da operação sobre empregos, concorrência e produção cultural em Hollywood.

Ruffalo também relacionou os vínculos da família Ellison, ligada à Oracle e à Paramount, com Israel e a situação dos palestinos em Gaza. Um porta-voz da Paramount respondeu que o ator havia invocado “estereótipos antissemitas” ao tratar da negociação empresarial.

O ator classificou a acusação como “terrível e fundamentalmente desonesta”. Ele afirmou que críticas ao governo israelense, a contratos de tecnologia militar ou a executivos envolvidos nesses negócios não representam ataques ao povo judeu. O Simon Wiesenthal Center, a Creative Community for Peace e profissionais como Haim Saban, Teddy Schwarzman e Lawrence Bender condenaram os comentários de Ruffalo.

O diretor Jonathan Glazer, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional por “Zona de Interesse”, é um dos signatários da carta. Foto: Mike Blake/Reuters

Carta contesta acusação de antissemitismo

Os signatários classificaram a reação contra Ruffalo como uma “campanha difamatória”. “Apontar as conexões cruciais entre o que está acontecendo em Gaza e o que está acontecendo em Hollywood é exatamente o oposto do antissemitismo”, afirma o documento.

A carta também critica a concentração de poder na indústria de mídia e os negócios de Larry Ellison, fundador da Oracle. O grupo cita uma pesquisa do Washington Post segundo a qual 61% dos judeus americanos consideram que Israel comete crimes de guerra em Gaza, enquanto quatro em cada dez avaliam que as ações equivalem a genocídio.

Jonathan Glazer afirmou que acusar Ruffalo de antissemitismo por questionar uma grande fusão corporativa busca silenciar críticas legítimas. O dramaturgo e cineasta Kenneth Lonergan chamou a acusação de “flagrantemente absurda”, enquanto Hannah Einbinder também manifestou apoio ao ator.

George Clooney defendeu Ruffalo durante uma coletiva de imprensa no Festival de Veneza. “Eu acredito no livre discurso. Isto é parte de como uma democracia funciona. Eu sempre vou apoiar a ‘capacidade’ de Mark Ruffalo de falar livremente”, disse o ator.

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