
O Estadão defendeu nesta terça-feira (1º) a saída de Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF) após a divulgação de mensagens de Daniel Vorcaro e das revelações sobre a participação do ministro na elaboração do contrato entre o Banco Master e o escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes. No editorial “Moraes tem de sair do Supremo”, o jornal afirma que o magistrado “não tem mais condições” de permanecer no cargo e cobra uma investigação sobre sua relação com o banqueiro. Confira trechos:
“Alexandre de Moraes não tem mais condições de seguir como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e deveria pedir exoneração do cargo, para o bem da própria Corte. As revelações feitas pelo Estadão de que Moraes ajudou a elaborar o contrato milionário entre o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, desmentem categoricamente que o ministro fosse alheio ao acerto e a todas as suas implicações éticas e legais. (…)

Há perguntas que só uma investigação responderá. Moraes procurou Gonet? Falou com Andrei? Tentou retardar diligências? Transmitiu informações sigilosas? Dependendo das respostas, podem estar em jogo ilícitos de imensa gravidade, como prevaricação, advocacia administrativa, obstrução de justiça e corrupção passiva. Gonet não pode continuar tratando esse material como ‘insuficiente’, como já o fez no passado, sem cair ele mesmo em suspeição.(…)
Moraes tem de deixar o Supremo. Sua responsabilidade criminal será apurada, mas a responsabilidade institucional já se impõe. Se ele se recusar a retirar esse peso da Corte, sua permanência terá de ser enfrentada por quem a Constituição encarregou de julgar crimes de responsabilidade de ministros do STF: o Senado. Defender o Supremo, agora, significa impedir que a crise de um ministro se torne a crise da instituição.”