
Glaucia Camargo, presidente do Sindicato Interestadual do Audiovisual (SICAV), afirmou que a produção de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, realizou filmagens no Brasil sem comunicar a Agência Nacional do Cinema (Ancine) a tempo. Em entrevista à GloboNews, ela disse que a produtora obteve apoio da Spcine, empresa municipal de São Paulo, mas não seguiu inicialmente a instância federal.
A dirigente explicou que produções estrangeiras enfrentam exigências reduzidas quando gravam no país sem intenção de explorar comercialmente a obra no mercado brasileiro. “Isso é para filmar, filmei aqui, legal, tchau, nunca mais vou estar aqui”, afirmou.
O cenário muda quando o filme pretende chegar ao circuito comercial brasileiro. Nesse caso, a legislação exige uma coprodutora nacional, responsável por obrigações contábeis e trabalhistas no país. Para Glaucia, a comunicação com a agência reguladora falhou no caso de “Dark Horse”. “A Ancine não foi comunicada, talvez, a tempo”, afirmou a presidente do sindicato.
A Ancine emitiu o Registro de Obra Estrangeira (ROE) para o longa. Glaucia apontou que o documento não representa uma aprovação artística, política ou ética do governo federal, mas formaliza a existência da produção estrangeira perante a agência.
“Vamos pensar que a Ancine é um pouco um cartório quando é filme estrangeiro”, disse. A distribuidora ainda precisará apresentar contratos e outros documentos para levar o filme às salas de cinema do país.
"A ANCINE reconheceu que é uma obra estrangeira, mas só isso. (…) Tem que mostrar contratos e uma série de documentos ainda", explica Glaucia Camargo sobre o "Dark Horse".
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— GloboNews (@GloboNews) August 26, 2026
Em agosto de 2026, a Polícia Federal intimou a Ancine e fixou prazo de dez dias para o envio de informações cadastrais, cronogramas e dados sobre pessoas físicas e jurídicas ligadas a “Dark Horse”. A agência também autuou a Go Up Entertainment por irregularidades nas gravações e prevê multas pela ausência de notificação prévia.
O inquérito tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça, e apura suspeitas de financiamento ilegal. O caso ganhou dimensão política após o vazamento de mensagens e áudios nos quais o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobraria R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para o projeto.
Flávio Bolsonaro alegou que o episódio é “página virada” e que as contas têm natureza privada. O senador não apresentou os relatórios financeiros detalhados cobrados por adversários políticos e autoridades, conforme as informações relacionadas à investigação.
O ministro Flávio Dino autorizou a Polícia Federal a acessar dados de uma operação da Polícia Civil de São Paulo que investiga o Instituto Conhecer Brasil. A entidade compartilha endereço e comando com a Go Up Entertainment, de propriedade da jornalista Karina Ferreira da Gama.
O Ministério Público apura a suspeita de desvio de emendas parlamentares destinadas ao instituto para custear a cinebiografia. A investigação também analisa um contrato milionário firmado pela ONG com uma empresa de Alex Leandro Bispo dos Santos, apontado pelo MP como integrante do PCC e preso preventivamente sob acusação de feminicídio em São Paulo.
Sindicatos de artistas reuniram ainda relatos de trabalhadores que participaram das filmagens em São Paulo. As denúncias incluem jornadas exaustivas, falta de pagamentos e fornecimento de alimentação estragada a figurantes.