‘Reeleger Lula é fundamental para a reafirmação da democracia’, diz Humberto Costa

O senador Humberto Costa (PE), secretário nacional de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores (PT), candidato à reeleição, destaca o papel central das eleições do Brasil num contexto global de disputa com a extrema direita: “É praticamente uma eleição internacional, não é?”, disse à Rede PT de Comunicação,  em entrevista em que falou sobre soberania, política e o pleito de outubro.

“O Brasil tem sido um espaço de resiliência contra esse avanço da extrema direita no mundo. A eleição no Brasil é importante para o mundo inteiro, para todos os democratas de todo o mundo. E eu entendo que se nós ganharmos as eleições aqui no Brasil, nós reelegermos o presidente Lula, é algo fundamental para a reafirmação dos princípios que nós sempre defendemos: a autonomia dos diversos povos, a autodeterminação desses povos também, a defesa da solidariedade, da liberdade, da democracia como um valor universal”, afirmou.

O parlamentar abordou algumas das questões políticas mais relevantes do momento, como o tarifaço dos Estados Unidos (EUA), as eleições contra o bolsonarismo em outubro e o fim da escala 6×1 de trabalho. De acordo com Humberto, a permanência da democracia na América Latina passa, necessariamente, pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O secretário de Relações Internacionais do PT acrescenta: “E sem dúvida, se nós tivermos uma vitória aqui no Brasil, será uma colocação de um ponto limite para esse enfrentamento com a extrema direita e com o próprio governo Trump”.

 

Humberto destaca que são corretas as repostas do Governo Lula às sucessivas tarifas determinadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre parte das exportações brasileiras. Para o senador, Lula acerta quando opta pela intransigente defesa da soberania nacional e pela busca de novos mercados consumidores, sem jamais abrir mão da negociação. “Num primeiro momento, essas tarifas tinham claramente um objetivo político, que era o de desrespeitar a Constituição brasileira, interferir na independência entre os Poderes”, condenou o senador.

Humberto ressalta que fica evidente que existe um componente político com o objetivo de enfraquecer o governo do presidente Lula.

“Nós continuamos na mesma linha de considerar isso uma ingerência na nossa soberania”, definiu o senador, referindo-se ao último tarifaço, de 12,5%, cujas alegações para a medida foram classificadas pelo senador como “absolutamente inconsistentes”.

Acordo de Trump com clã Bolsonaro

As pressões econômicas de Trump vem sendo articuladas pela família Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, deve ser o principal adversário de Lula na corrida presidencial em outubro. Neste contexto, Humberto Costa considera uma possibilidade a tentativa de intervenção dos EUA nas eleições brasileiras, com o intuito de  para favorecer Flávio e o pai, que cumpre prisão domiciliar depois de ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 27 anos de reclusão por tramar contra a democracia.

“Lógico que as tarifas têm também um forte componente econômico, mas nós sabemos que, nesse momento, principalmente pela postura que o governo americano tem assumido em diversos episódios de eleições na América Latina, eles tentarão com toda a força atrapalhar a continuidade do nosso projeto aqui no Brasil. E obviamente que, como as tarifas têm uma incidência econômica sobre a vida da população brasileira, isso será utilizado como um instrumento de interferência no nosso processo”, ponderou o senador.

Humberto Costa falou também da atuação das plataformas digitais, que lucram com o extremismo político e com a divulgação de mentiras, mas garantiu que tanto Lula quanto o PT e a militância estão prontos para o embate.

Interferência eleitoral e big techs

“Creio que haverá interferência do ponto de vista político, do ponto de vista de financiamento da extrema direita aqui no Brasil para fazer face a essa disputa eleitoral. Acredito que as redes sociais, as grandes plataformas, as ‘big techs’, elas serão instrumentalizadas para a produção de ‘fake news’, para o discurso de ódio, que tem sempre caracterizado as disputas que nós estamos tendo no Brasil”, antecipou.

O senador do PT lembrou ainda do episódio envolvendo o presidente da Argentina, Javier Milei, que compareceu à Convenção Nacional do PL, evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, há quase 10 dias. Milei ofendeu Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do STF, relator do processo que condenou Jair Bolsonaro.

“Acredito que todos esses mecanismos serão fortemente utilizados, inclusive o mecanismo que está sendo utilizado agora, que é de um chefe de Estado, um chefe de governo como o presidente argentino, proferir uma série de ataques ao presidente Lula, ao governo brasileiro, o que demonstra que ele está a serviço do próprio governo Trump, da doutrina Trump, de fazer com que a América Latina seja uma extensão do interesse político e econômico dos Estados Unidos”, analisou Humberto.

Os avanços do Lula 3

Sobre as eleições de outubro, o secretário de Relações Internacionais do PT vê “uma disputa apertada” à frente, apesar de colocar o Governo Lula 3 como “o melhor de todos os governos que o Brasil já teve”. Ele lembra que o Governo Lula está sendo capaz de recompor as políticas públicas que foram desmontadas por [Michel] Temer [ex-presidente] e Bolsonaro.

“É um país que cresceu com inflação baixa, com redução do desemprego, com aumento da massa salarial, com políticas públicas novas, extremamente importantes nas mais diversas áreas, e também com novas políticas sociais, como é o caso, por exemplo, do Pé-de-Meia, do Gás para Todos, que procurou diminuir a desigualdade no nosso Brasil. Contribuindo para a aprovação, sendo o grande puxador da aprovação do fim do pagamento do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. E também para a construção de melhores condições de vida e trabalho para os trabalhadores”, completou o petista.

Humberto Costa criticou a falta de propostas da extrema direita para o país e lembrou o legado de fome e devastação deixado pelo ex-presidente Bolsonaro.

“É o grupo político que provocou a morte de mais de 700 mil pessoas na pandemia, que levou as pessoas para a fila do osso nos supermercados. É o mesmo grupo que jogou o Brasil novamente no Mapa da Fome. Então, tudo isso eu imagino que o eleitorado vai levar em consideração e vai dar um voto para que o Brasil continue no rumo certo”, comparou.

Em Pernambuco, onde concorre novamente ao Senado pelo PT, Humberto traçou o panorama eleitoral local. Ele prevê em seu Estado outra disputa acirrada.

“Nós estamos numa aliança com o PSB, uma aliança que já vem de muito tempo, uma aliança nacional, inclusive. Nós lá temos duas candidaturas ao Senado que tem um compromisso com esse projeto político: a nossa companheira Marília Arraes (PDT-PE) e a minha candidatura. Eu, como senador, tenho muito a apresentar ao povo de Pernambuco”, orgulha-se.

O senador também analisa seu legado no Estado, nos vários cargos que ocupou ao longo da trajetória política, desde a fundação do Partido.

“Nós temos em cada cidade do estado de Pernambuco uma ação que eu tive a oportunidade de realizar como ministro da Saúde, como secretário das Cidades, como senador e, portanto, eu acredito que tenho muitas condições de ter um voto da população pernambucana. Tem o meu mandato no Senado. Eu sou uma pessoa que está no PT desde a sua fundação, que estive e estou com o presidente Lula nos momentos mais difíceis e nos momentos também bons“, disse.

O fim da escala 6×1

O fim da escala 6×1 foi outro tema tratado por senador na entrevista. Humberto acredita que a aprovação no Senado pode ocorrer antes mesmo das eleições. Caso contrário, há igualmente condições para que a proposta de emenda constitucional referendada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio passe no Senado depois de outubro.

“Não só o PT e o governo, mas eu acho que a sociedade tem exercido, com muita força, uma pressão para que nós possamos aprovar essa proposta do fim da escala 6×1. Acredito que temos amplas condições, se for colocado em votação, de aprová-la no Senado Federal, inclusive antes das eleições. É preciso que haja um entendimento, é preciso que haja uma definição de uma agenda consensual junto ao Senado Federal, para essa aprovação. E eu acredito que a pressão social vai fazer com que essa votação aconteça o mais cedo possível”, argumentou.

Núcleos do PT fora do Brasil

Por fim, o secretário de Relações Internacionais do PT explicou o funcionamento dos núcleos do partido no exterior, como têm se articulado às vésperas das eleições e a importância deles para manter presença fora do país. A missão agora, afirma Humberto, é conquistar os votos dos eleitores habilitados e apoio dos movimentos de esquerda.

“Os núcleos terão um papel de interagir com partidos, com forças, com movimentos sociais, que têm interesse na disputa eleitoral no Brasil, que são defensores da democracia, do progressismo. E acredito que eles podem cumprir o papel importante nessa eleição”, esclarece o senador.

Humberto concluiu lembrando que o PT sempre teve vocação e perfil internacionalistas: “Nós estarmos organizados nesses outros países, nos dá um rumo, um caminho de entendimento, negociação com outras forças políticas que existem no exterior, forças democráticas, forças socialistas, enfim. E os núcleos, eles terminam sendo uma ponte para esse trabalho, para esse entendimento. É também uma forma alternativa para as pessoas que lá estão de poderem exercer uma militância política”.

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