Zanin rebate Mendonça e exige acesso integral aos dados do celular de Vorcaro

Cristiano Zanin
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal. Foto: Victor Piemonte/STF

Cristiano Zanin reforçou nesta sexta-feira (11) o pedido para receber a íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro antes da sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal marcada para terça-feira (15).  O ministro rebateu André Mendonça e afirmou que a cópia de segurança lacrada mantida no gabinete do relator deve ser compartilhada com os demais integrantes da Corte.

Para Zanin, o fato de Mendonça ter ou não analisado integralmente o material não impede o acesso dos outros ministros. Ele sustenta que todos os julgadores precisam ter a “mesma oportunidade de análise” dos elementos relacionados ao processo antes da deliberação do plenário.

A cobrança ganha peso porque a primeira análise divulgada pela Polícia Federal sobre um dos aparelhos de Vorcaro não foi exaustiva. O relatório de 218 páginas registrou que os investigadores trabalharam sob um prazo de 72 horas imposto por Mendonça, o que deixou aberta a possibilidade de outras referências serem identificadas posteriormente no conteúdo do celular.

Ofício do gabinete de Zanin. Reprodução

Foi desse conjunto de dados que saíram mensagens que desencadearam a atual crise no Supremo. Um dos relatórios revelou contatos atribuídos a Vorcaro com Alexandre de Moraes, incluindo a mensagem em que o banqueiro perguntou, dois dias antes de sua prisão, se deveria estar “fora” na segunda-feira. Os registros extraídos do aparelho e usados no relatório da PF foram tornados públicos por Mendonça no início de setembro.

O material será um dos focos da sessão extraordinária convocada por Edson Fachin. O plenário deverá analisar o pedido de Mendonça para abertura de investigação contra Moraes e a validade do relatório produzido pela PF, em meio a questionamentos sobre competência, procedimentos adotados e alcance da apuração.

O pedido de Zanin não antecipa qualquer conclusão sobre o conteúdo ainda lacrado nem afirma que existam novas provas contra Moraes, Mendonça ou outras autoridades. A questão apresentada pelo ministro é processual: ele defende que, antes do julgamento, todos os integrantes do plenário possam consultar a mesma base de dados que está sob guarda do gabinete do relator.

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