Investigado no caso Master usa crise entre Mendonça e PF para tentar tirar tornozeleira

Belline Santana BC
O ex-chefe de Supervisão Bancária do BC durante o governo Bolsonaro. Belline Santana. Foto: Reprodução/Redes Sociais

A defesa de Belline Santana, servidor do Banco Central investigado por suspeita de atuar em favor de Daniel Vorcaro, usou a crise provocada pelas decisões de André Mendonça contra a cúpula da Polícia Federal para pedir ao STF a retirada da tornozeleira eletrônica. Segundo a Folha de S.Paulo, os advogados alegam que os questionamentos sobre a condução das investigações podem comprometer a validade de elementos usados contra o servidor.

Belline é funcionário de carreira do Banco Central e sua chegada à chefia do Departamento de Supervisão Bancária antecede o governo Lula. Documento oficial do BC de julho de 2021 já o identificava como chefe do Desup, durante o governo Jair Bolsonaro e a presidência de Roberto Campos Neto na autarquia. Ele continuou na função depois da troca de governo e ainda aparecia oficialmente como chefe do departamento em abril de 2025, já durante a gestão de Gabriel Galípolo.

Na petição apresentada nesta sexta-feira (11), os advogados mencionam a decisão de Mendonça que afastou preventivamente o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada. A defesa sustenta que, se a “lisura da condução das investigações” entrou em discussão, haveria também possibilidade de redefinição de competência e reconhecimento de nulidades. Até agora, porém, o STF não anulou as provas reunidas contra Belline.

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Foto: Divulgação/Polícia Federal

A Polícia Federal suspeita que o servidor tenha atuado internamente para favorecer os interesses do Master. A investigação aponta pagamentos de R$ 500 mil por mês e comprovantes que somariam R$ 3,8 milhões, além de despesas de uma viagem de Belline e da mulher a Paris que teriam sido bancadas por Vorcaro. A defesa nega irregularidades. Em março, já existia a suspeita de que Belline tenha retardado a entrega à PF de documentos importantes para a primeira prisão de Vorcaro.

Mensagens encontradas no celular do banqueiro também revelaram um grupo de WhatsApp chamado “Master”, que reunia Vorcaro, Belline e Paulo Sérgio Neves de Souza, outro servidor investigado. Segundo a PF, os dois atuaram de forma recorrente na defesa de interesses privados do empresário, discutindo documentos e medidas relacionadas à crise da instituição financeira.

Belline já prestou depoimento à PF e tenta retirar a tornozeleira há cerca de seis meses. Além dela, continuam em vigor a suspensão do exercício da função pública, a proibição de entrar no Banco Central e de manter contato com outros investigados, a restrição para deixar a comarca e a apreensão do passaporte. Fachin suspendeu as decisões conflitantes sobre a cúpula da PF e manteve Andrei no comando enquanto analisa a controvérsia. A tese de que a crise possa invalidar atos do caso Master, por enquanto, é um argumento da defesa de Belline.

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