Dentre os principais temas da entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao podcast Flow, nesta quinta-feira (1º), estão o crescimento do país e o combate às desigualdades. Lula aproveitou a oportunidade para reafirmar uma máxima que ele tem usado como guia de ação na área econômica: “Muito dinheiro na mão de poucos é pobreza. Pouco dinheiro na mão de muitos é riqueza”.
Ao falar sobre o crescimento do PIB que obteve em suas passagens pela presidência da República, Lula salientou: “Se tem uma coisa que eu aprendi a fazer é fazer o dinheiro girar na mão das pessoas. Presta atenção numa frase que você não vai ouvir na Unicamp, nem na Fundação Getulio Vargas. É uma frase minha: muito dinheiro na mão de poucos é pobreza. Pouco dinheiro na mão de muitos é riqueza”.
Ele prosseguiu explicando que “quando você consegue fazer o dinheiro circular na mão de milhões de pessoas, quem recebe R$ 100 vai à padaria comprar um pão a mais, comprar um caderno para o filho, comprar mais alguma coisa. A padaria, o comércio, vão gerar mais empregos, vão contratar mais das fábricas…É assim que você faz a roda da economia girar”.
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Hoje, acrescentou, “temos no Brasil o menor desemprego e a maior massa salarial da história. Isso acontece porque tenho sorte”, ironizou. Ao longo de seus governos, adversários e especialistas neoliberais atribuíram o bom desempenho econômico a contextos internacionais positivos.
Ao falar sobre obras como a transposição do Rio São Francisco e a Transnordestina, Lula criticou as desigualdades regionais. “Tudo tem que ser para o Centro-Sul do país? Não. Eu quero tornar o Brasil igualitário, eu quero que os estados tenham a mesma oportunidade. É por isso que agora eu levei um supercomputador pro Rio Grande do Norte, um outro supercomputador pro Rio e um supercomputador quântico para a Paraíba, porque eu quero esse país igual”.
Lula também destacou que parte do sentimento anti-Lula e anti-esquerda que pauta a direita e a extrema direita tem a ver com o preconceito de classes.
“Quando você consegue aprovar as cotas para os negros entrarem na universidade, não pense que muitos brancos gostaram disso. Quando eu ganhei as eleições em 2003, o Brasil tinha 4,8 milhões pessoas no mercado de trabalho com diploma universitário. Hoje, o Brasil tem 25,5 milhões, cinco vezes mais. E eu quero chegar a 70 milhões de pessoas com diploma universitário no mercado de trabalho. Porque isso vai qualificar o Brasil do ponto de vista da produtividade e competitividade”, declarou.
Ele reforçou como pensam os setores mais ricos da população sobre ele e sobre as mudanças sociais que fez: “Esse besta desse Lula, esse torneiro mecânico nordestino que saiu de lá para não morrer de fome, vem aqui fazer faculdade para pobre?”. Ele citou programas como o ProUni e ReUni e completou: “são essas coisas que incomodam os meus inimigos”.
Mais adiante, dirigindo-se aos jovens, reforçou: “O país não tem saída se a gente não investir na educação e não tem saída se você não acredita nisso. Então, ao invés de você ficar chateado, desanimado, sem acreditar em ninguém, porque você não entra na política? O político honesto que você quer está dentro de você. Seja candidato a alguma coisa, participe de um partido político”.