
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) providências para retirar dados fiscais e bancários sigilosos que Deltan Dallagnol (Novo) anexou ao seu registro de candidatura. No ofício enviado ao presidente do tribunal, desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, Zanin também solicitou a responsabilização dos envolvidos, inclusive na esfera criminal. Com informações de Metrópoles.
Os documentos expostos reúnem informações fiscais e bancárias de Zanin, de sua esposa, de seu sogro, de uma cunhada e do escritório de advocacia do qual ele foi sócio antes de assumir uma cadeira no STF. Dallagnol incluiu o material ao responder a uma impugnação eleitoral apresentada por uma coligação que envolve o PT no Paraná.
Os dados integravam processos que tramitaram no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), entre eles uma reclamação disciplinar apresentada por Zanin contra Dallagnol e outros integrantes da força-tarefa da Lava Jato. Ao protocolar a íntegra desses procedimentos na Justiça Eleitoral, a defesa do ex-procurador tornou públicos documentos protegidos por sigilo.
Após a divulgação do caso, a relatora Vanessa Jamus Marchi determinou que os documentos anexados às impugnações e contestações recebessem, com urgência, a classificação de segredo de Justiça. A determinação buscava interromper a exposição das informações no processo eleitoral.

Defesa de Dallagnol diz que documentos eram necessários à Justiça Eleitoral
A defesa de Dallagnol afirmou que anexou cópias integrais das reclamações do CNMP para responder às contestações contra a candidatura. Os advogados sustentaram que não pretendiam expor dados de Zanin e que buscavam exercer plenamente o direito de candidatura.
Em nota, a defesa declarou que os dados constavam da reclamação disciplinar movida pelo então advogado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse que o procedimento tinha milhares de páginas. “Os dados são essenciais para a decisão da Justiça Eleitoral”, afirmaram os advogados.
Os documentos tiveram origem em apurações da Lava Jato quando Zanin atuava como advogado de Lula. O então juiz federal Marcelo Bretas autorizou a obtenção das informações, mas a Segunda Turma do STF anulou posteriormente a decisão.
A defesa também argumentou que a reclamação de Zanin no CNMP não resultou em condenação de Dallagnol ou de outros procuradores das forças-tarefas de Curitiba e do Rio de Janeiro. Para os advogados, o histórico desses procedimentos ajudaria a contestar os fundamentos usados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para barrar o registro de candidatura de Dallagnol em 2023. Veja o vídeo:
🚨TENHAM CONVICÇÃO/ACABOU, PORRA: O Min @Cristianozaninm (Zanin, do @STF_oficial) acaba de pedir a PRISÃO (via responsabilização criminal) do candidato Deltan Dallagnol (NOVO-PR)!🇧🇷👍🤑 https://t.co/k8J3VGH6Eb pic.twitter.com/6krIlBumz6
— PESQUISAS E ANÁLISES ELEIÇÕES (@pesquisas_elige) September 5, 2026