
Daniel Vorcaro ordenou um ataque hacker para apagar informações de sua conta no iCloud enquanto cumpria prisão domiciliar em São Paulo, em janeiro de 2026, segundo reportagem de Breno Pires publicada pela piauí nesta quinta-feira (8). A ação mirava dados relacionados aos celulares apreendidos pela Polícia Federal na investigação sobre o Banco Master.
O iCloud é o serviço de armazenamento da Apple que guarda fotos, mensagens e outros arquivos dos aparelhos. Segundo a revista, a PF estava com o celular de Vorcaro havia dois meses e havia bloqueado o acesso externo aos dados. O ataque também tinha como alvo a conta de Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro do ex-banqueiro. Zettel teve o telefone apreendido em 14 de janeiro, quando foi preso ao tentar embarcar para Dubai, em Guarulhos, e acabou solto no mesmo dia.
A encomenda teria sido feita ao publicitário e lobista Thiago Miranda, que aproximou Vorcaro do senador Flávio Bolsonaro (PL), do Rio de Janeiro, e participou das cobranças por recursos destinados a “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. Conforme a Piauí, Miranda acionou o especialista em segurança digital Thiago Santos, que trabalhava com outros profissionais, para tentar apagar os arquivos antes da coleta pelos investigadores.
Santos chegou a acessar a conta de Vorcaro, mas a invasão foi detectada pela PF. Os investigadores conseguiram conter a investida e preservar os dados. O episódio está sob análise da corporação.

As tarefas atribuídas ao grupo também incluíam a produção de dossiês sobre responsáveis pelas investigações e pela liquidação do Master. Miranda coordenou um relatório sobre o agente da PF Wilker Goulart e que Santos elaborou um documento de onze páginas sobre Renato Dias de Brito Gomes, diretor do Banco Central responsável pela área de Organização do Sistema Financeiro e Resolução.
Depois da tentativa de invasão, Miranda voltou a procurar Santos para tentar retirar notícias sobre Vorcaro e sua então noiva, a influenciadora Martha Graeff, publicadas por veículos de Miami. O grupo também contratou escritórios de advocacia digital nos Estados Unidos para apresentar à Meta pedidos de remoção de conteúdos das redes sociais.
Miranda foi alvo de buscas da PF em julho, sob suspeita de obter informações sigilosas e coagir desafetos de Vorcaro, conforme a reportagem. Seu passaporte foi apreendido por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). As que atividades de monitoramento realizadas pelo grupo continuaram até poucos dias antes da nova prisão de Vorcaro, em março.
Procurado, Miranda não comentou as informações sobre o ataque. Seu advogado, Rafael Martins, defendeu “a absoluta legalidade de todos os atos praticados pelo constituinte” e afirmou que as investigações reforçam a inexistência de atos ilícitos de seu cliente. Santos negou atividades irregulares e disse ter comparecido espontaneamente à PF para prestar esclarecimentos.