Deputado condiciona início da campanha coordenada a 3 milhões de integrantes no Exército Lula e aposta em mensagens unificadas para ampliar o alcance eleitoral nas redes sociais
O deputado federal André Janones anunciou uma estratégia de mobilização digital em apoio à reeleição do Presidente Lula, com a criação de uma rede de apoiadores que pretende transformar em uma estrutura organizada de divulgação de conteúdos eleitorais. Em transmissão ao vivo publicada no YouTube, o parlamentar afirmou que só iniciará a distribuição sistemática de materiais de campanha depois que o canal chamado Exército Lula alcançar 3 milhões de integrantes. A meta final, segundo ele, é reunir 5 milhões de participantes.
A declaração foi feita em uma live na qual Janones apresentou orientações para o segundo turno das eleições de 2026, avaliou o cenário eleitoral e explicou como pretende organizar a atuação dos apoiadores. O vídeo publicado em seu canal no YouTube também serviu para justificar a decisão de adiar o início da campanha digital coordenada, apesar da pressão de aliados e militantes preocupados com o curto período disponível até a votação, marcada para o dia 25, conforme mencionado pelo deputado.
Segundo Janones, o grupo tinha aproximadamente 53 mil integrantes na manhã de segunda-feira e cresceu rapidamente após o início da convocação. Durante a transmissão, ele afirmou que a rede já se aproximava de 3 milhões de participantes, com uma expansão que atribuiu ao trabalho de mobilização realizado nas redes sociais.
“Eu optei por ir para campo quando a gente tiver um exército grande, mas aí o prazo vai ficar muito curto”, declarou. O deputado reconheceu que a escolha envolve riscos, mas disse preferir iniciar a divulgação organizada da campanha com uma base numerosa, em vez de começar imediatamente com um grupo menor.
Janones afirmou que a decisão provocou cobranças de integrantes da campanha de Lula, aliados políticos, deputados e militantes. Ele disse estar dedicando cerca de 20 horas por dia à tarefa de ampliar o canal e relatou que dormia aproximadamente quatro horas por noite. Segundo o parlamentar, a prioridade exclusiva na captação de novos participantes seria o fator responsável pelo crescimento acelerado do grupo.
A estratégia prevê duas etapas. Ao atingir 3 milhões de integrantes, o canal começará a divulgar conteúdos eleitorais de maneira coordenada, enquanto a mobilização continuará. O deputado estabeleceu que a busca por novos participantes só deixará de ser a prioridade principal quando a rede chegar a 5 milhões de pessoas.
Pesquisa eleitoral e possibilidade de virada
Na transmissão, Janones também comentou uma pesquisa Datafolha que, segundo sua interpretação, indicava uma disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro. O parlamentar considerou o resultado positivo para a campanha petista, sobretudo porque a sondagem teria sido realizada nos primeiros dias após o encerramento do primeiro turno, antes do início da mobilização que ele estava organizando.
O deputado reconheceu que os números ainda indicavam vantagem para o adversário, mas argumentou que a diferença poderia ser revertida. Para sustentar sua avaliação, recorreu à eleição presidencial de 2014, quando Dilma Rousseff enfrentou Aécio Neves no segundo turno.
Na comparação apresentada por Janones, a então candidata petista estava oito pontos percentuais atrás no momento equivalente da disputa e conseguiu reverter o resultado. Ele utilizou o episódio para contestar o pessimismo entre apoiadores de Lula e defender que a campanha ainda teria condições de conquistar votos suficientes para vencer.
“Eu não sou otimista, não. Isso aqui não é papo de otimista”, afirmou, ao lembrar previsões anteriores que atribuiu à sua leitura do comportamento dos usuários nas redes sociais. Janones disse ter antecipado a aproximação de Flávio Bolsonaro em relação a Lula nas pesquisas e a possibilidade de uma onda favorável ao adversário na reta final do primeiro turno.
O parlamentar sustentou que sua avaliação se baseia na observação das redes, mas fez uma ressalva sobre o alcance de sua atuação individual. “Ele sozinho não é nada, não é nada”, declarou, referindo-se a si próprio e defendendo que a força da estratégia dependerá da participação coletiva dos apoiadores.
A partir dessa interpretação, Janones rejeitou tanto a ideia de que a eleição já estaria decidida quanto a expectativa de uma vitória tranquila. “Ela não tá ganha e não tá perdida. Vai ser voto a voto”, afirmou. Para ele, a possibilidade de vitória depende da capacidade de manter a mobilização até o dia da votação.
Redes sociais como prioridade da campanha
Um dos principais argumentos apresentados pelo deputado é que a disputa eleitoral de 2026 exige uma atuação mais organizada nas plataformas digitais. Na avaliação dele, o campo progressista precisa rever a maneira como produz e distribui conteúdo político para alcançar eleitores que não acompanham diariamente o noticiário ou os debates partidários.
Janones afirmou que a campanha petista não teria perdido o primeiro turno por falta de presença nas ruas, pela qualidade dos candidatos ou pela ausência de atividades presenciais. Ele argumentou que a diferença estaria na circulação de conteúdos pela internet, onde considera que os adversários conseguiram impor suas interpretações dos acontecimentos.
O parlamentar descreveu uma rotina na qual trabalhadores acessam as redes sociais durante pequenos intervalos do dia, em busca de entretenimento, e entram em contato com informações políticas de forma incidental. Por isso, defendeu que as mensagens eleitorais sejam adaptadas aos formatos e à linguagem que circulam nessas plataformas.
“É aqui na rede social que a eleição vai ser definida”, declarou.
A proposta apresentada por Janones combina a produção de conteúdos com a distribuição coordenada entre perfis, grupos e contatos pessoais. Em vez de concentrar a divulgação apenas em grandes páginas ou em contas de políticos conhecidos, ele defendeu a formação de uma comunidade digital composta por diferentes perfis de apoiadores.
O deputado também criticou o que classificou como elitismo na comunicação política da esquerda. Para ele, temas importantes para o debate público precisam ser apresentados de maneira acessível, com exemplos relacionados à vida cotidiana dos eleitores.
Como referências, citou o Bolsa Família, o programa Minha Casa, Minha Vida e a redução da jornada de trabalho na escala 6 por 1. Na avaliação do parlamentar, a escolha dos assuntos e a linguagem utilizada para apresentá-los são decisivas para alcançar pessoas que não participam ativamente da militância política.
A orientação é evitar que a comunicação se limite a conceitos abstratos ou a argumentos formulados para públicos já familiarizados com o debate político. Janones defendeu que a campanha privilegie temas que possam ser compreendidos a partir da experiência concreta dos trabalhadores e das famílias.
Mensagem única e coordenação diária
A organização do conteúdo será baseada em uma pauta principal por dia. Segundo Janones, a estratégia busca concentrar a atenção dos apoiadores em um assunto específico, evitando que diferentes mensagens concorram entre si no mesmo período.
Ele afirmou que a rede deverá receber orientações para compartilhar conteúdos sobre um tema determinado, enquanto os demais assuntos ficarão temporariamente em segundo plano. A intenção é ampliar a repetição da mensagem escolhida e aumentar sua presença nas redes.
O deputado reconheceu que esse modelo exige abrir mão da divulgação simultânea de outras pautas consideradas relevantes. Como exemplo, mencionou situações em que uma notícia favorável ao governo ou à campanha poderia disputar espaço com um assunto que já estivesse mobilizando os usuários.
Para Janones, identificar o momento em que determinado tema ganha força e concentrar nele a comunicação é parte essencial da estratégia eleitoral.
A proposta também prevê que os participantes sigam orientações comuns, em vez de cada apoiador escolher individualmente quais conteúdos considera mais importantes. O parlamentar pediu que a rede mantenha a coordenação durante o período decisivo da campanha, argumentando que a repetição de mensagens pode ampliar o alcance das publicações.
“Uma mensagem, todo mundo falando a mesma coisa”, afirmou, ao explicar o funcionamento que pretende estabelecer para o grupo.
A orientação se restringe, segundo ele, à mobilização eleitoral até o encerramento da disputa. Janones afirmou que a intenção não é eliminar divergências políticas permanentemente, mas concentrar os esforços dos apoiadores durante o curto intervalo até o segundo turno.
Como Janones orientou a distribuição dos vídeos
Durante a live, o deputado detalhou uma sequência de ações que espera dos integrantes do Exército Lula quando receberem um vídeo de campanha. As instruções foram apresentadas como uma forma de ampliar a distribuição dos conteúdos e estimular sua circulação para além dos públicos que já acompanham os perfis políticos.
O roteiro inclui curtir a publicação, deixar um comentário, utilizar a ferramenta de compartilhamento, publicar o material nos stories e encaminhá-lo por mensagens privadas. Em seguida, o parlamentar orientou os participantes a copiar o link e distribuí-lo em contatos e grupos de WhatsApp. Também pediu que assistissem ao vídeo até o final.
Segundo Janones, a rapidez das interações iniciais e o volume de compartilhamentos seriam importantes para a distribuição dos conteúdos pelas plataformas. Ele recomendou que os apoiadores realizem as ações de divulgação logo após receberem o material, antes de assistir à gravação.
A orientação revela a intenção de transformar a rede em um mecanismo de distribuição coordenada, com a participação de usuários que não dependam exclusivamente de grandes perfis para alcançar novos públicos.
O WhatsApp recebeu atenção especial na explicação do deputado. Para ele, o encaminhamento de conteúdos por contatos pessoais e grupos é uma maneira de alcançar eleitores que não seguem páginas políticas ou que estão fora das comunidades digitais já mobilizadas.
A estratégia, portanto, não se limita à publicação de materiais nas contas oficiais da campanha. Ela procura utilizar redes de relacionamento pessoal para ampliar a circulação das mensagens e aproximá-las de públicos que não acompanham regularmente a disputa eleitoral.
Janones recomenda não impulsionar notícias falsas
Outro ponto abordado na transmissão foi a reação dos apoiadores a publicações de adversários. Janones pediu que os integrantes da rede evitem comentar conteúdos que considerem falsos, mesmo quando a intenção seja contestá-los.
O deputado argumentou que os sistemas de recomendação das plataformas podem interpretar o volume de interações como um sinal de relevância, independentemente de os comentários serem favoráveis ou contrários à publicação. Assim, na avaliação dele, responder a uma informação falsa pode ampliar sua circulação.
“Se você vai lá e comenta discordando, o algoritmo vai dizer o seguinte: ‘Ora, o conteúdo Lula cometeu esse crime é relevante. Logo eu vou entregar ele para mais pessoas’”, afirmou.
Janones também criticou a prática de compartilhar vídeos destinados a ridicularizar adversários políticos. Segundo ele, esse comportamento contribui para aumentar o alcance das publicações que os próprios apoiadores pretendem combater.
O parlamentar citou o que descreveu como um episódio de grande repercussão durante uma campanha anterior, quando uma publicação sua teria alcançado ampla circulação depois de ser alvo de críticas. Para ele, a experiência demonstrou que a reação dos adversários pode acabar ampliando a visibilidade de um conteúdo.
A recomendação é direcionar o esforço dos apoiadores para a divulgação das mensagens da própria campanha, evitando dedicar tempo e engajamento a publicações adversárias. A estratégia também prevê a escolha de argumentos que possam convencer eleitores, em vez de estimular confrontos com pessoas que já se identificam com o bolsonarismo.
Disputa pelo eleitor indeciso e pela abstenção
Na avaliação de Janones, a campanha precisa concentrar esforços nos eleitores indecisos e nos que votaram em candidaturas de terceira via no primeiro turno. Ele também chamou atenção para uma parcela de eleitores de Flávio Bolsonaro que, segundo afirmou, estaria aberta a mudar de voto.
O deputado considerou pouco produtivo tentar convencer diretamente os apoiadores mais identificados com o bolsonarismo por meio de ataques ou provocações. Em vez disso, defendeu uma abordagem baseada em argumentos sobre as consequências das escolhas eleitorais.
A orientação é apresentar aos eleitores o que consideram realizações do governo Lula e discutir o que poderia mudar caso Flávio Bolsonaro fosse eleito. Janones afirmou que a campanha precisa explicar os possíveis impactos de uma mudança de governo, sem abandonar a apresentação de propostas para o futuro.
“E agora é mostrar para as pessoas que elas vão perder o que foi feito caso o Flávio seja reeleito”, declarou.
O parlamentar também destacou a necessidade de mobilizar eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. Durante a transmissão, mencionou mais de 30 milhões de abstenções e afirmou que uma parcela expressiva dos ausentes seria formada por pessoas de baixa renda e eleitores de Lula.
A proposta é incentivar esses eleitores a comparecerem à votação, por meio de conversas e ações de convencimento. Janones fez a ressalva de que sua orientação se refere à mobilização política, sem transporte irregular de eleitores ou outras práticas proibidas pela legislação eleitoral.
A abstenção é um componente importante de sua estratégia porque a campanha não dependeria apenas da transferência de votos entre candidatos. Também precisaria convencer pessoas que deixaram de votar a participar do segundo turno.
Apoio a páginas menores e construção de uma comunidade digital
Janones defendeu ainda que os apoiadores ampliem o acompanhamento de páginas de esquerda e de perfis independentes, em vez de concentrar toda a atenção em grandes veículos de comunicação ou nas contas de políticos com muitos seguidores.
Durante a live, ele citou páginas que gostaria de ver fortalecidas e pediu que os participantes passassem a segui-las, curtissem suas publicações e ajudassem a distribuir os conteúdos. A intenção, segundo explicou, é criar uma rede de perfis capaz de divulgar mensagens de maneira descentralizada.
Para justificar a proposta, o deputado comparou a circulação de uma publicação em uma conta de grande alcance com a divulgação de conteúdos semelhantes por dezenas de páginas menores. Na avaliação dele, a segunda alternativa pode favorecer a distribuição orgânica e fazer com que as mensagens cheguem a públicos diferentes.
O parlamentar lembrou que, em 2022, teria organizado uma rede de aproximadamente 120 mil apoiadores durante a campanha presidencial. Ele atribuiu parte de sua atuação naquela eleição à capacidade de coordenar a divulgação de conteúdos e disse acreditar que uma estrutura com milhões de participantes poderia ampliar esse efeito.
A proposta também aponta para a continuidade da organização depois do segundo turno. Janones afirmou que pretende mudar o nome do canal para Exército da Esquerda após a eleição, sinalizando a intenção de manter uma comunidade política digital para além da disputa presidencial.
Meta de 5 milhões e participação de Lula
A meta de 5 milhões de integrantes ocupa posição central no plano apresentado pelo deputado. Segundo ele, o canal não deve ser entendido apenas como uma página com grande número de seguidores, mas como um grupo de pessoas dispostas a cumprir orientações de divulgação.
Janones argumentou que o alcance da iniciativa dependerá da participação efetiva dos integrantes e da capacidade de cada pessoa atrair novos participantes. Durante a transmissão, pediu que cada apoiador convidasse cinco pessoas para o canal, além de encaminhar o vídeo da live a seus contatos.
O deputado também afirmou que o Presidente Lula teria prometido comprar um celular e participar diretamente do grupo caso a rede chegasse a 5 milhões de inscritos. Segundo o relato apresentado por Janones, o presidente interagiria com os participantes ao longo do dia. A promessa foi mencionada pelo parlamentar durante a transmissão, sem que o vídeo, por si só, permita verificar as condições em que teria sido feita.
A participação de Lula, caso se concretize, serviria como um estímulo adicional para a mobilização. Ainda assim, Janones insistiu que o resultado da iniciativa não dependerá de uma única liderança.
“Parem de acreditar em super-herói. Não existe o super-herói”, declarou.
A frase sintetiza o argumento que o deputado repetiu ao longo da transmissão: a capacidade de mobilização dependeria da atuação de milhares ou milhões de pessoas, e não apenas da visibilidade de dirigentes políticos ou de grandes perfis nas redes sociais.
Uma campanha sob pressão e com prazo curto
Ao longo da live, Janones procurou estabelecer uma relação direta entre o tamanho da rede digital e as chances de vitória de Lula. Ele afirmou acreditar que um grupo de 5 milhões de participantes poderia exercer influência sobre a circulação de conteúdos na internet e também sobre a mobilização fora das plataformas.
O deputado, contudo, reconheceu que a eleição será disputada até os últimos dias e descartou a possibilidade de uma vitória fácil. Sua estratégia depende de ampliar rapidamente o canal, organizar a distribuição de materiais e convencer eleitores que não estão necessariamente envolvidos com a militância política.
A decisão de esperar 3 milhões de integrantes antes de iniciar a campanha coordenada reduz o tempo disponível para a divulgação, mas, na avaliação de Janones, permite começar com uma base maior e mais preparada para executar as orientações. A meta de 5 milhões acrescenta uma segunda etapa, na qual a mobilização continuará mesmo depois do início da campanha digital.
O plano também depende de fatores que o próprio deputado não controla integralmente, como a disposição dos participantes para seguir as instruções, a capacidade dos conteúdos de alcançar novos públicos e as mudanças no cenário eleitoral ao longo do segundo turno.
Ao encerrar a transmissão, Janones voltou a pedir que os apoiadores convidassem novos participantes e compartilhassem o link da live. Ele afirmou que a divulgação coordenada ainda não havia começado e reiterou que o canal só entraria oficialmente em campo quando alcançasse 3 milhões de integrantes.
A mensagem final foi dirigida aos próprios militantes: a mobilização precisaria continuar mesmo diante de uma disputa apertada e da pressão provocada pelo calendário eleitoral. Para Janones, a vitória de Lula dependerá da capacidade de transformar a adesão digital em participação efetiva na campanha e em votos no segundo turno.
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