
O candidato ao governo de Santa Catarina, Marcelo Brigadeiro (Missão), viralizou ao fazer uma sequência de críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante participação no podcast Inteligência Ltda, em 3 de setembro. Ao lado do empresário e influenciador Tallis Gomes, ele enumerou as mentiras contadas pelo candidato à Presidência sobre sua relação com Daniel Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
A exposição ocorreu antes de novos documentos do caso perderem o sigilo e ampliarem os questionamentos sobre as versões apresentadas por Flávio. Nesta semana, a investigação revelou mais detalhes sobre os repasses feitos por Vorcaro e sobre a participação do filho do ex-presidente nas negociações do projeto.
“Flávio mudou de versão doze vezes”, afirmou Brigadeiro. Ele lembrou que, após o número de Flávio aparecer no celular de Vorcaro, o senador inicialmente declarou: “Nunca tive contato com o Vorcaro”. Posteriormente, admitiu conhecer o banqueiro e ter negociado com ele.
Brigadeiro também recordou declarações em que Flávio tentou afastar sua imagem do escândalo do Banco Master. “Tentar me vincular ao caso Master é uma narrativa falsa”, disse o senador em uma das ocasiões citadas pelo candidato catarinense.
O eleitor de direita tem todo o direito (sem trocadilho) de votar em quem quiser. Agora… este mesmo eleitor de direita não pode fingir que é contra a bandidagem… que quer justiça… que não quer mais sujeira no país… arrotar virtudes… e votar no Flávio Bolsonaro. Aí não dá. pic.twitter.com/3iMcrGGYe5
— Antonio Tabet (@antoniotabet) September 12, 2026
As revelações sobre “Dark Horse” se tornaram um dos principais pontos de contradição. Flávio chegou a negar o financiamento quando questionado sobre o tema. “É mentira. De onde é que você tirou isso, pô? É mentira, pelo amor de Deus!”, afirmou. Horas depois, reconheceu que Vorcaro havia colocado dinheiro no projeto.
Em maio, Flávio também afirmou que o último pagamento feito pelo banqueiro ocorrera naquele mês. Um relatório do Coaf revelou posteriormente um repasse de US$ 1,6 milhão, cerca de R$ 8,5 milhões na cotação da época, em setembro de 2025. Mensagens indicaram ainda a possibilidade de outro pagamento no mês seguinte.
O pagamento de setembro ocorreu poucos dias depois de Flávio cobrar Vorcaro sobre parcelas do projeto. Mesmo assim, diante da descoberta do novo repasse, o senador declarou: “Essas informações não tenho como saber, porque não trato disso. Tem que perguntar para a produtora.”
Brigadeiro já havia destacado essa contradição em 3 de setembro. Segundo ele, enquanto Flávio dizia não tratar das movimentações financeiras, “as mensagens vazadas mostram que era ele quem negociava e cobrava”.
O candidato também mencionou a promessa feita por Flávio em maio de apresentar uma prestação de contas da produção. Na época, o senador declarou ter pedido à produtora que detalhasse os gastos do filme em até 30 dias.
Com o fim parcial do sigilo, veio à tona que a PF investiga o financiamento de dezenas de milhões de reais direcionados à produção e apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Flávio nega irregularidades.
Para Brigadeiro, a sucessão de versões compromete o discurso do adversário. “Esse cara não tem qualquer condição moral, irmão, de propor uma mudança para um país”, afirmou durante o podcast.