
O presidente Lula (PT) rejeitou nesta sexta (18) a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Em evento sobre ações integradas de segurança pública no Rio de Janeiro, ele afirmou que terrorismo foi o ataque de 8 de Janeiro de 2023 e o planejamento de assassinato de autoridades ligado à trama golpista.
“Nós precisamos ganhar do crime organizado. E eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o [Donald] Trump”, disse Lula. O presidente afirmou que a classificação defendida pelo americano trata de “terrorismo de Estado” e não da disputa de poder entre organizações criminosas.
Lula citou Jair Bolsonaro ao falar sobre os atos de 8 de Janeiro e a investigação sobre planos contra ele, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). “Isso é terrorismo, pensando em matar Lula, Alckmin e até o Alexandre de Moraes. Isso é terrorismo de Estado”, afirmou.
Os Estados Unidos incluíram PCC e CV em sua lista de organizações terroristas, alterando a abordagem da Casa Branca para o narcotráfico sul-americano. No Brasil, as facções seguem enquadradas como organizações criminosas, enquanto integrantes do governo manifestaram preocupação com a possibilidade de intervenções unilaterais estrangeiras.
Um relatório da administração Trump acusou o Brasil de falhar no combate às duas facções e cobrou medidas urgentes. O Ministério da Justiça e o governo brasileiro rejeitaram a acusação, citaram operações contra o patrimônio das quadrilhas e apontaram acordos de inteligência com agências dos Estados Unidos para enfrentar o tráfico de drogas e armas.
➡️ No Rio, Lula rebate Trump sobre facções: “Terrorismo foi o 8 de Janeiro” pic.twitter.com/LpvmmgaKkS
— Metrópoles (@Metropoles) September 18, 2026
Lula cita fronteiras e promete medidas para a segurança pública
Ao comentar a relação com Trump, Lula afirmou que os Estados Unidos têm interesse em recursos minerais brasileiros, como petróleo, minerais críticos e terras raras. Ele mencionou a exploração na Margem Equatorial e questionou como o país poderá controlar 18 mil quilômetros de fronteiras sem ampliar os investimentos em segurança nacional.
O presidente ainda disse que bandidos e milicianos deixam moradores assustados em bairros, escolas e ruas das periferias. Lula declarou que, se conquistar a reeleição, pretende retomar territórios ocupados por organizações criminosas.
O presidente também mencionou a PEC da Segurança Pública, em tramitação no Congresso, que amplia a participação da União no setor. Lula disse que pretende criar o Ministério da Segurança Pública para reduzir os índices de violência no país.