
O advogado Marco Aurélio Carvalho, defensor de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, questionou a diferença de exposição entre as investigações envolvendo seu cliente e o inquérito sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, erm que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu ter recebido R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Os dois casos estão sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), conduzido ao cargo por Jair Bolsonaro.
Em entrevista à GloboNews, Carvalho criticou os sucessivos vazamentos relacionados aos inquéritos de Lulinha e perguntou por que informações semelhantes não vieram a público no caso que apura cerca de R$ 61 milhões repassados pelo banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme sobre Jair Bolsonaro. A investigação sobre o financiamento de “Dark Horse” foi autorizada pelo STF em julho.
“Tem tanta coisa pra aparecer. Você já deve ter ouvido que não tem só áudio, tem vídeo. Nós temos 61 milhões de motivos pra pedir explicação. São 61 milhões de reais que foram depositados por um banqueiro, que quebrou muita gente, na conta de um candidato à Presidência da República”, disse Carvalho.
“Não é do filho dele, é dele, Flávio Bolsonaro, que disse aqui na GloboNews que ia explicar cada um dos reais que ele gastou dentro desse conjunto enorme de 61 milhões de reais. Esse sim, dinheiro nosso, dinheiro de muita gente, e não foi explicado”, emendou.
Rapaz, que atropelo do advogado do Lulinha no Tariflávio Bolsomaster: “R$ 61 milhões depositados por Vorcaro na conta de um candidato à Presidência da República. Não é do filho dele, é dele: Flávio Bolsonaro. Por que ainda não apareceu o restante do material do ‘Dark Horse’ e por… pic.twitter.com/Ba8ZIJ53HX
— Lázaro Rosa 🇧🇷 (@lazarorosa25) August 20, 2026
O advogado afirmou ainda que “esses vazamentosnão foram vazamentos do inquérito”, e disse haver “uma série de suspeitas”. “Eu quero saber por que que não apareceu o resto que tem no ‘Dark Horse’, por que que não apareceram os vídeos que tem”, finalizou.
Carvalho também comentou a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) favorável ao envio à primeira instância de inquéritos envolvendo Lulinha. Segundo a PGR, as investigações não incluem autoridades com foro por prerrogativa de função, argumento utilizado para defender que os processos deixem o STF.
“Se o Fábio Luís não fosse filho do presidente Lula, se fosse com qualquer uma das pessoas que estão nos acompanhando, esse inquérito teria sido arquivado. Ele carrega o peso de um sobrenome”, afirmou Carvalho.
Lulinha é investigado pela Polícia Federal em inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência e corrupção. As apurações surgiram a partir de desdobramentos da Operação Sem Desconto, relacionada às fraudes em descontos de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é acusado de participação no esquema de descontos indevidos do INSS, o que pesa sob ele, de acordo com as investigações, é de que ele teria usado o parentesco para supostamente influenciar o Ministério da Saúde a regularizar o uso de canabidiol, o que beneficiaria uma empresa da qual ele aparece como sócio. A defesa nega irregularidades.
Na última quinta-feira (20), a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao STF que envie o caso para a primeira instância, considerando a ausência de investigados com foro privilegiado.
Carvalho disse ter recebido a manifestação da PGR “com alegria”, mas “sem surpresa”, e reiterou que a defesa sustenta há meses que os casos deveriam sair do Supremo. Ele também afirmou que Lula não deseja tratamento que beneficie o filho, mas que o parentesco com o presidente também não poderia justificar uma perseguição nas investigações.
Ao comparar a situação com o governo Jair Bolsonaro, o advogado declarou: “O Bolsonaro mudou os superintendentes da Polícia Federal para proteger os seus filhos, para proteger o 01, 02, 03 e o 04, para proteger a sua família, primos e afins, para proteger os seus amigos e os milicianos com os quais ele governou o país”.
Para Carvalho, a repercussão em torno das investigações e da posição da PGR também estaria sendo utilizada politicamente em meio à disputa eleitoral.