Um dos últimos atos de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno transitou entre a desfaçatez e o ridículo, tal qual toda a sua campanha. Repetindo seu pai, o senador optou por fazer uma motocarreata neste sábado (3), que percorreu um trecho de 20 km da rodovia SP-304, saindo de Santa Bárbara d’Oeste para Americana.
O evento sobre rodas contou com as participações do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta a reeleição, e dos candidatos ao Senado, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).
Numa das paradas, Flávio aproveitou para erguer e beijar imagem de seu pai e foi agraciado com singelas homenagens de apoiadores: havia criança vestida de Nossa Senhora e um carro de boi puxava uma carroça com uma imagem da santa. Tais manifestações transparecem a preocupação da campanha (e dos seus seguidores) com o estrago causado pelo episódio que marcou a última semana.
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Em entrevista após a atividade, Flávio voltou a tratar de temas caros a ele e que o ajudam a manter a munição de sua militância: as críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao STF (Supremo Tribunal Federal) e aos comunistas.
Sem esconder o desejo de moldar a Corte aos seus desígnios autoritários — uma das armas da extrema direita para corroer as instituições democráticas dentro e fora do Brasil — disse que o STF estaria “completamente desequilibrado”.
O candidato também disse que “ministros do STF não podem ser agentes políticos do governo Lula e nem de nenhum outro viés ideológico”.
No entanto, é bom lembrar que ministros indicados por seu pai, Jair Bolsonaro (PL), têm adotado posturas favoráveis a Zero Um e que aumentaram o desgaste no Supremo. É o caso dos desdobramentos recentes do caso Master/Dark Horse, em que Flávio é investigado por lavagem de dinheiro, corrupção (ativa e passiva) e evasão de divisas.
Flávio continuou sua queixa contra o Supremo na entrevista. “Está tudo depravado nesse país”, disse o candidato “da família”, na mesma semana em que reportagem do PlatôBR mostrou a participação de Flávio em festinhas com garotas de programa (que geraram até uma crise conjugal), além de indícios de lobbies e presentes de luxo dado ao senador.
Para fechar com chave de ouro sua fala, Flávio não podia deixar de atacar a esquerda. “Certamente não vai ter comunista, não vai ter perseguidor de político. Vai ter pessoas centradas, que respeitam a Constituição”, declarou o filho do presidente preso por tentativa de golpe, ao falar sobre qual seria a cara do STF com suas indicações.