
A médica-veterinária Vitória Valle de Oliveira Pinha, de 36 anos, morreu durante a madrugada deste sábado (22), quatro dias após ser atacada por um pastor-belga-malinois no canil do Senado Federal, em Brasília. “Informo a todos que a Vitória, a veterinária atacada pelo cachorro no canil do Senado, não resistiu aos ferimentos e faleceu no início dessa madrugada, muito triste tudo isso”, publicou a família em comunicado.
O caso ocorreu na terça-feira (18), na Esplanada dos Ministérios, durante o expediente da profissional, que trabalhava para uma empresa prestadora de serviços responsável pelos cuidados dos animais.
Vitória sofreu uma lesão severa no pescoço e teve uma parada cardiorrespiratória antes do socorro. O Corpo de Bombeiros do Distrito Federal prestou os primeiros atendimentos, conteve a hemorragia e a levou ao Hospital de Base do DF, onde ela passou por cirurgia da equipe de Cirurgia do Trauma. O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF informou que ela chegou ao centro cirúrgico em estado grave. Apesar dos esforços médicos, ela não resistiu aos ferimentos.
O animal envolvido é um pastor-belga-malinois, raça comumente empregada em atividades de ataque e defesa no Serviço de Cinotecnia do Senado.

O cão está vacinado, foi retirado das operações e permanecerá em observação e sob exames, conforme informou o Senado. A instituição afirmou que a profissional recebeu atendimento imediato após o ataque e que acompanha o caso, prestando suporte à família. O Senado também declarou que apura internamente o episódio.
A cinotecnia é a área dedicada ao treinamento e ao emprego de cães em tarefas específicas. No Senado, o serviço está vinculado à Polícia Legislativa e atua em patrulhamento, buscas e apreensões, identificação de drogas, explosivos e armas de fogo, além de apoio em intervenções relacionadas a distúrbios civis. Um documento de planejamento do Senado para 2026 registra a existência de quatro cães policiais adultos. A Casa mantém contratos para atendimento veterinário e cuidados com a saúde dos animais.
A Polícia Civil do Distrito Federal realizou perícia no local, procurou testemunhas e abriu investigação para esclarecer a dinâmica do ataque. O Senado, por sua vez, não respondeu à imprensa sobre como os cães são selecionados e treinados, quais são os protocolos de segurança no canil e se já ocorreram outros ataques ou mordidas.
Esses pontos se tornaram centrais após o episódio com a veterinária. Além da conduta do animal, a investigação terá de mostrar se os protocolos existentes eram suficientes e se foram cumpridos.