
As declarações patrimoniais dos candidatos nas eleições de 2026 incluem armas, cavalos, aeronaves, obras de arte, túmulos e até um assistente de inteligência artificial avaliado em R$ 0,01. A base disponibilizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reúne mais de 75 mil itens informados por 13.553 candidatos em todo o país.
A declaração de bens é uma autodeclaração obrigatória para o registro da candidatura e permite que os eleitores consultem o patrimônio informado à Justiça Eleitoral. Os candidatos podem registrar imóveis, veículos e outros bens pelo valor histórico de compra, em vez do preço atual de mercado, enquanto dados como endereços e placas ficam ocultos por segurança.
Ao menos 20 candidatos incluíram armas de fogo no patrimônio, com valor total próximo de R$ 182 mil. O Rio de Janeiro concentra oito registros, entre eles um fuzil Taurus T4 calibre 5,6 avaliado em R$ 13 mil, além de pistolas Glock e Taurus TS9. Também há declarações de armamento no Distrito Federal, em Rondônia, Santa Catarina, Goiás e Mato Grosso.
As listas contêm ao menos 35 menções a cavalos, incluindo animais das raças Mangalarga Marchador e Quarto de Milha, com valores individuais entre R$ 3 mil e R$ 50 mil. Um candidato do Tocantins declarou 3.764 cabeças de gado bovino avaliadas em mais de R$ 11,5 milhões, enquanto outro, no Pará, informou 1.609 semoventes no valor total de R$ 4,8 milhões.

Aeronaves, embarcações e artigos de luxo
Os candidatos declararam 79 aeronaves, entre aviões e helicópteros, avaliadas em mais de R$ 116 milhões. O item mais caro é uma participação de 11% em uma aeronave de Goiás, estimada em R$ 13,3 milhões. A relação também inclui outro avião goiano de quase R$ 12 milhões e um jato Phenom 100, no Piauí, avaliado em R$ 11,4 milhões. As 147 embarcações informadas, entre lanchas, iates e jet skis, somam pouco mais de R$ 20 milhões.
Relógios de luxo também aparecem nas declarações, como um Rolex Submariner de R$ 75 mil, um Cartier de R$ 67 mil e um Breitling de R$ 8 mil. Em Goiás, um item descrito apenas como “relógio” recebeu o valor de R$ 1,35 milhão. Um candidato do Rio Grande do Sul declarou uma biblioteca particular com 30 mil livros, discos de vinil e CDs, avaliada em R$ 40 mil, enquanto outros registraram obras de Antonio Peticov, Marysia Portinari e Kazuo Wakabayashi.

Ao menos 14 candidatos informaram túmulos ou sepulturas perpétuas como patrimônio, com valores entre R$ 1 mil e R$ 20 mil. A base ainda contém oito bens de valor negativo, relacionados a saldos bancários e dívidas de contratos de mútuo, que chegam a R$ 1,8 milhão.
Na categoria de direitos autorais, invenções e patentes, um candidato registrou no Instituto Nacional da Propriedade Industrial um assistente virtual de inteligência artificial avaliado em R$ 0,01. Em São Paulo, outro declarou possuir 10% de um “community token” ainda não lançado, atribuindo ao ativo o valor de R$ 500 milhões. As listas também incluem iPhones de R$ 2 mil a R$ 11,9 mil, um aparelho portátil de raio-X de R$ 5 mil, um soprador de folhas de pouco mais de R$ 2 mil e um equipamento odontológico avaliado em R$ 3 mil.