Lula e Trump devem se encontrar em setembro após ligação de 1h20

Donald Trump e Lula em encontro na Casa Branca. Foto: reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, devem se encontrar nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU em 22 de setembro, depois de conversarem por uma hora e vinte minutos na última sexta-feira (21). Os dois discursarão em sequência na abertura do evento, realizado na sede das Nações Unidas, em Nova York.

O Brasil tradicionalmente abre os discursos da Assembleia-Geral, seguido pelos Estados Unidos. Não existe protocolo que obrigue os dois presidentes a manter contato, mas os líderes que aguardam a vez de falar usam uma sala nos fundos do plenário para revisar discursos e conversar com ministros e assessores.

O Palácio do Planalto classificou o telefonema como “amistoso e cordial”, enquanto a Casa Branca não divulgou uma avaliação sobre o tom da conversa. Segundo o G1, Trump perguntou sobre as eleições brasileiras de outubro, e Lula respondeu que a campanha transcorria normalmente. A Assembleia ocorrerá 12 dias antes do primeiro turno da disputa entre o petista e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Lula e Trump já se cruzaram nesse espaço em 2025, quando permaneceram juntos por 39 segundos na sala GA-0200. “Eu estava entrando [no plenário da Assembleia Geral] e o líder do Brasil estava saindo. Eu o vi, ele me viu, e nos abraçamos”, disse Trump em seu discurso. Em seguida, afirmou: “Na verdade, ele gostou de mim, eu gostei dele. Eu só faço negócios com pessoas de quem eu gosto. Quando eu não gosto, eu não gosto”.

O presidente Lula durante seu discurso na ONU. Foto: reprodução

Encontro de 2025 abriu negociações entre Brasil e Estados Unidos

A revista piauí revelou que o chanceler Mauro Vieira e Richard Grenell, assessor próximo de Trump, articularam previamente aquele contato. Grenell defendia a redução das tensões entre Brasília e Washington, em oposição à linha adotada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, crítico da esquerda e aliado da família Bolsonaro.

O encontro abriu caminho para uma videochamada pouco mais de duas semanas depois e para uma agenda diplomática na Malásia, no fim de outubro. A distensão levou à retirada do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, da advogada Viviane Barci de Moraes e da holding familiar do casal da lista de sancionados pela Lei Magnitsky. A Justiça estadunidense também derrubou o tarifaço contra produtos brasileiros.

As relações voltaram a enfrentar turbulências após uma visita de trabalho de Lula à Casa Branca, em maio, quando Trump recebeu Flávio Bolsonaro no Salão Oval e anunciou dois novos tarifaços contra o Brasil. Em audiência no Senado dos Estados Unidos, Rubio retirou o país da lista de aliados de Washington e o comparou a Cuba, Venezuela e Nicarágua.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, também anunciou uma videoconferência com Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos e responsável pela formulação das sanções comerciais. A reunião dará continuidade às negociações antes dos discursos de Lula e Trump em Nova York.

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