Por Adilson Araújo, presidente da CTB
O próximo domingo pode ser decisivo na luta pelo fim da desumana escala 6×1 com a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salários. Será um dia nacional de luta em torno desta bandeira histórica da nossa classe trabalhadora.
Convocada unitariamente pelas centrais sindicais e os movimentos sociais, a mobilização será realizada em várias capitais e cidades brasileiras. Em São Paulo, o ato ocorrerá na Avenida Paulista, em frente ao MASP, a partir das 9h.
Hoje, já sob a análise da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a Proposta de Emenda à Constituição que contempla a reivindicação dos trabalhadores e trabalhadoras e já foi aprovada em dois turnos pela Câmara Federal, tem tudo para ser votada e aprovada pela Casa ainda antes das eleições previstas para outubro, conforme pretendem e defendem as lideranças populares.
Um século atrasado
Porém, é preciso ponderar que o patronato, com amplo apoio na mídia burguesa, ainda não jogou a toalha e dá sinais de que continua e continuará a pressionar fortemente para impedir e protelar a votação, encaminhando a proposta para as calendas gregas, a pretexto de que não foi suficientemente debatida.
Em geral, os argumentos dos setores empresariais contrários a esta reivindicação trabalhista são falaciosos e alarmistas. A verdade é que o Brasil, que por resistência das classes dominantes foi o último país do mundo a acabar com a escravidão, está há pelo menos um século atrasado neste tema.
Cabe, mais uma vez, lembrar que 100 anos atrás, em 1926, o célebre industrial estadunidense Henry Ford pôs fim à desumana escala 6×1, concedendo dois dias de folga por semana aos operários de sua fábrica e reduzindo a jornada para 40 horas semanais mantendo o valor dos salários.
Os resultados macroeconômicos foram amplamente positivos, graças ao crescimento da renda, do consumo e da produtividade do trabalho, o que certamente contribuiu para que os EUA ascendesse à posição de maior economia do mundo, desmentindo previsões catastrofistas de setores patronais contrários à redução da jornada.
Povo a favor, bolsonaristas contra
É preciso observar e denunciar ao eleitorado que a extrema direita bolsonarista e seu candidato a presidente também estão jogando no time dos patrões contra os assalariados neste embate. Eleições e redução da jornada são dois temas entrelaçados pelo calendário político do país.
Ansiada pelos trabalhadores e trabalhadoras, o fim da desumana escala 6×1 e a instituição da jornada de 40 horas conta também com o apoio de 70% dos brasileiros e brasileiras, segundo levantamento realizado pelos institutos de pesquisa. Isso ajuda a explicar a aprovação da PEC na Câmara Federal.
É alvissareira a posição do senador Omar Aziz (PSD-AM), indicado relator da proposta no Senado. Aliado do governo Lula, ele prometeu concluir e apresentar ainda nesta quinta-feira (27) o relatório sobre a proposta aprovada pelos deputados federais, fortalecendo desta forma a perspectiva de votação e aprovação da PEC antes de outubro.
A CTB estará nas ruas neste domingo, ao lado das demais centrais e das Frentes Brasil Popular e Brasil Sem Medo. Os direitos trabalhistas são frutos da unidade e da luta vigorosa da classe trabalhadora. Desta vez não será diferente.