
O depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, à Polícia Federal foi adiado nesta quinta (27) por problemas técnicos no sistema de videoconferência. Ele seria ouvido em uma investigação sobre fraudes ligadas à instituição financeira.
Vorcaro prestaria esclarecimentos de forma virtual a partir da carceragem do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. Preso preventivamente desde junho, ele deve ser ouvido em nova oitiva prevista para a manhã desta sexta (28).
O advogado Daniel Bialski, que representa o banqueiro ao lado de Sérgio Leonardo, afirmou que a defesa esperou a normalização do sistema. “A defesa aguardou até agora o restabelecimento do sinal estável para realização da audiência virtual, o que não foi possível”, disse em nota.
O defensor acrescentou que uma nova data seria definida para que Vorcaro fale sobre os fatos investigados. A oitiva já havia sofrido um adiamento na semana anterior, após a defesa alegar que ainda não tinha acesso à íntegra dos autos.

PF rejeitou propostas de delação de Vorcaro
O depoimento seria o primeiro de Vorcaro depois que a Polícia Federal recusou duas propostas de delação premiada apresentadas por seus advogados. Os investigadores avaliaram que os anexos entregues pelo banqueiro não apresentavam provas suficientes nem elementos novos para as apurações.
Quando for ouvido, Vorcaro deverá responder sobre contatos com ex-diretores do Banco Central para tentar impedir a liquidação do Banco Master, decretada em novembro de 2025. A investigação apura a atuação desses antigos dirigentes junto ao banqueiro.
Segundo a Polícia Federal, dois ex-diretores do Banco Central trabalharam como “consultores” e “empregados” de Vorcaro. Eles teriam orientado o dono do Master sobre como reagir a questionamentos da autoridade monetária.
Na época da liquidação do banco, Vorcaro foi preso pela primeira vez sob suspeita de tentar deixar o país, hipótese que ele nega. O ato assinado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, apontou comprometimento da situação econômico-financeira, deterioração de liquidez, infração às normas bancárias e descumprimento de determinações da autarquia.