Turnê de Ed Sheeran sofre debandada após demissão de rapper pró-Palestina

Ed Sheeran
O cantor Ed Sheeran. Foto: Kylie Cooper/Reuters

A turnê de Ed Sheeran sofreu uma debandada nesta terça-feira (15) depois da retirada de Macklemore, que havia usado dois dos maiores palcos da “Loop Tour” para defender uma Palestina livre. Os artistas de abertura remanescentes desistiram das apresentações em solidariedade ao rapper, e a Beoga, banda irlandesa que tocava com Sheeran durante seus shows, também deixou a turnê.

Finneas, irmão e colaborador de Billie Eilish, o cantor irlandês Aaron Rowe e a banda dinamarquesa Lukas Graham anunciaram que não cumprirão as datas previstas com Sheeran. Beoga, que participava de várias músicas no meio do set principal e é descrita como banda de apoio da turnê, também se retirou. Finneas estava escalado para acompanhar Sheeran na etapa sul-americana, enquanto Rowe e Lukas Graham fariam datas restantes nos Estados Unidos.

A crise começou depois dos shows de Macklemore no MetLife Stadium, em Nova Jersey. O rapper gritou “Palestina livre!”, afirmou que os palestinos “não foram esquecidos” e apresentou “Hind’s Hall”, canção de protesto lançada em 2024 em homenagem aos atos universitários pró-Palestina e à menina palestina Hind Rajab. Macklemore já havia reagido ao afastamento dizendo que defender a Palestina era um dever. A Messina Touring Group informou que proprietários de arenas disseram que não receberiam os shows caso o rapper permanecesse na programação.

Sheeran se pronunciou nesta terça e negou ter tomado a decisão de afastar Macklemore. “A saída de Macklemore da turnê foi decisão da promotora, não minha”, escreveu. O britânico afirmou que passou a semana conversando com as casas de shows para tentar chegar a uma solução, mas que a posição dos locais e da promotora foi definitiva. Disse ainda que respeita a disposição de Macklemore de defender publicamente suas convicções, embora prefira não transformar seus próprios shows em um “fórum político”.

A resposta dos músicos foi na direção oposta. Finneas afirmou que artistas “não devem ser silenciados quando defendem os oprimidos” e declarou apoio à Palestina. A Beoga lembrou que seus integrantes são fundadores do movimento Irish Artists for Palestine e disse que não tocaria em locais que impeçam manifestações por uma Palestina livre. Aaron Rowe afirmou que não aceitaria que bilionários usassem seu poder para silenciar vozes contrárias à violência contra palestinos, enquanto Lukas Graham declarou que dinheiro não dá a ninguém o direito de controlar quais sofrimentos podem ser denunciados.

A ruptura ultrapassou os músicos diretamente envolvidos na turnê. O ator Javier Bardem pediu boicote a Ed Sheeran após a retirada de Macklemore. Pelo alcance, o episódio ganhou uma dimensão rara na indústria musical e se tornou um dos movimentos coletivos mais expressivos da história recente de artistas internacionais em defesa da liberdade da Palestina.

Macklemore mantém essa militância pública há anos. Em 2024, lançou “Hind’s Hall” em apoio aos protestos estudantis pró-Palestina e passou a usar apresentações para denunciar a situação em Gaza e a ocupação da Cisjordânia.

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