Trump restringe vistos de 27 juízes e procuradores da América Latina; veja lista

Donald Trump. Foto: Allison Robbert/AFP

O governo de Donald Trump revogou ou restringiu vistos de 27 latino-americanos, incluindo juízes, procuradores, empresários e autoridades da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Washington acusa os atingidos de corrupção ou de envolvimento com atividades ligadas ao narcotráfico.

O Departamento de Estado anunciou as medidas nesta segunda (28) e afirmou que elas atingem também familiares dos alvos. A política usa dispositivos da Lei de Imigração e Nacionalidade dos Estados Unidos para impedir a entrada de estrangeiros considerados prejudiciais à política externa americana.

A administração Trump vinculou a ofensiva à coalizão Escudo das Américas, lançada na Cúpula de Doral. O grupo reúne Estados Unidos, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru sob o compromisso declarado de combater corrupção, crime organizado e narcotráfico.

O Departamento de Estado disse que pode adotar novas restrições à medida que surgirem evidências. A Casa Branca sustenta que pessoas envolvidas em corrupção ou no tráfico de drogas prejudicam governos eleitos e instituições democráticas na região.

Trump participa de encontro do grupo “Escudo da América”, em Nova York. Foto: Reuters

Bolivianos concentram a maior parte das restrições

A Bolívia reúne a maior parte dos casos: 12 cidadãos tiveram vistos revogados ou foram declarados inelegíveis para recebê-los. A relação inclui o ex-ministro da Justiça Ivan Manolo Lima Magne, o magistrado constitucional Israel Ramiro Campero Mendez, o coronel Frans William Cabrera Quispe e o empresário Jose Luis Iriarte Cussi.

Também constam entre os bolivianos identificados a juíza Albania Chane Caballero Saavedra, o procurador-chefe de Santa Cruz Alberto Zeballos Flores, a juíza Rosario Ximena Flores Paniagua e o juiz Rodrigo Aldo Vedia Espinoza. Outras nove pessoas da Bolívia foram alcançadas pela decisão, embora não tivessem visto americano em vigor.

Na Colômbia, os Estados Unidos cancelaram os vistos do empresário Euclides Antonio Torres Romero e da senadora Martha Isabel Peralta Epieyu, ligada ao Pacto Histórico e ao Movimento Alternativo Indígena e Social. No Peru, a medida atingiu o juiz Juan Carlos Núñez Matos, do Primeiro Tribunal Constitucional de Lima, e seus familiares.

O governo americano também informou a revogação de vistos de dois cidadãos equatorianos e de seus familiares, mas não divulgou os nomes. Ao todo, o comunicado listou 16 pessoas identificadas e mencionou outras 11 sem identificação pública.

Em uma decisão separada, Washington declarou o procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, inelegível para entrar nos Estados Unidos. O Departamento de Estado o acusou de envolvimento em “corrupção significativa” e estendeu a restrição a seus familiares imediatos.

As autoridades americanas alegam que Mariaca abusou de cargos públicos para pedir e aceitar subornos relacionados ao narcotráfico, facilitou o tráfico e ajudou criminosos violentos a escapar da Justiça. A designação permite ao secretário de Estado impor restrições públicas ou privadas quando houver informações consideradas confiáveis sobre corrupção grave ou violações de direitos humanos.

Veja a lista de autoridades afetadas:

  • Martin Daniel Irusta Flores: procurador da Bolívia;
  • Albania Chane Caballero Saavedra: juíza de instrução anticorrupção e de violência contra a mulher de Santa Cruz, na Bolívia;
  • Alberto Zeballos Flores: procurador-chefe de Santa Cruz, na Bolívia;
  • Rosario Ximena Flores Paniagua: juíza de instrução criminal de Santa Cruz, na Bolívia;
  • Ivan Manolo Lima Magne: ex-ministro da Justiça e Transparência Institucional da Bolívia;
  • Alvaro Mauricio Nava Morales Carrasco: procurador sênior e ex-procurador departamental de Chuquisaca, na Bolívia;
  • Israel Ramiro Campero Mendez: magistrado constitucional da Bolívia;
  • Alberto Samuel Soto de la Via: ex-presidente-executivo da Alfândega Nacional da Bolívia;
  • Ivan Ramiro Campero Villalba: ex-magistrado suplente da Suprema Corte da Bolívia;
  • Rodrigo Aldo Vedia Espinoza: juiz do Primeiro Tribunal de Instrução Criminal de La Guardia, na Bolívia;
  • Frans William Cabrera Quispe: coronel da Polícia Boliviana;
  • Jose Luis Iriarte Cussi: empresário boliviano;
  • Roger Mariaca: procurador-geral da Bolívia;
  • Euclides Antonio Torres Romero: empresário colombiano, proprietário de conglomerado que atua principalmente nos setores de energia, sinalização de trânsito e iluminação pública;
  • Martha Isabel Peralta Epieyu: senadora colombiana ligada ao Pacto Histórico e ao Movimento Alternativo Indígena e Social;
  • Juan Carlos Nunez Matos: juiz do Primeiro Tribunal Constitucional de Lima, no Peru.
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