
Donald Trump confirmou neste sábado (26) que rejeitou uma proposta do Irã para reabrir o Estreito de Hormuz e interromper os combates no Oriente Médio. Questionado por jornalistas na Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos foi direto: “Eu rejeito a proposta deles. Rejeitei o acordo deles”. A declaração foi dada em coletiva de imprensa após a Reuters revelar os detalhes da negociação.
A proposta iraniana havia sido apresentada durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e transmitida aos estadunidenses por mediadores do Qatar. Segundo Teerã, o acordo abriria uma contagem regressiva de sete dias para a reabertura de Hormuz e para uma interrupção das hostilidades na região.
Trump afirmou que o Irã tenta chegar a um acordo porque enfrenta dificuldades econômicas. “Eles querem fazer um acordo para abrir o Estreito de Hormuz imediatamente porque estão perdendo muito”, declarou. O governo estadunidense mantém um bloqueio econômico contra o país como forma de pressionar Teerã a liberar a passagem marítima, fundamental para o comércio internacional de petróleo.
Trump: “I’m rejecting their deal. They want to make a deal where they open the strait immediately … we’re winning tremendously. We have total control of the Hormuz Strait … that deal would not be acceptable. They want to immediately open the Hormuz Strait.” pic.twitter.com/iqlz69Wsz2
— Aaron Rupar (@atrupar) September 26, 2026
O chanceler iraniano Abbas Araqchi afirmou que, caso Washington aceitasse a iniciativa, os dois lados poderiam iniciar negociações mais amplas sobre temas de interesse comum. O programa nuclear iraniano poderia entrar nessas conversas, mas uma autoridade de Teerã disse à Reuters que o país não pretende abrir mão do direito ao enriquecimento de urânio nem enviar para o exterior seu estoque de material altamente enriquecido.
A rejeição ocorre poucos dias depois de Trump ameaçar “aniquilar” o Irã durante a Assembleia Geral da ONU. Antes disso, ele já havia perguntado publicamente “quando eu explodo o país inteiro?” ao discutir as opções para pressionar o governo iraniano.
O Wall Street Journal havia informado, citando autoridades estadunidenses, que Trump também disse a assessores considerar provável uma nova campanha de bombardeios depois das eleições legislativas de novembro. A Reuters reproduziu essa informação, mas a eventual retomada dos ataques não foi anunciada oficialmente pelo presidente na declaração deste sábado. O conflito já provocou forte desgaste político nos Estados Unidos, onde a aprovação de Trump caiu a 32%, o menor nível de sua carreira política.
Apesar da recusa de Trump, os contatos não foram totalmente interrompidos. Autoridades estadunidenses disseram que as conversas conduzidas por intermediários continuam, enquanto o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirma que Teerã aceita negociar, mas não sob “ameaças ou coerção”.