
O governo de Donald Trump barrou uma missão de técnicos da Receita Federal aos Estados Unidos, organizada após a visita do presidente Lula a Washington em 7 de maio, segundo a coluna de Janaína Figueiredo no UOL. O grupo pretendia se reunir com representantes do IRS, órgão tributário americano, para ampliar a cooperação contra lavagem de dinheiro e tráfico de armas.
O Departamento de Estado informou ao Brasil que não autorizaria os vistos necessários para a viagem. Pelo menos dez servidores da Receita planejavam ir aos EUA em junho, em um trabalho conjunto proposto por Lula durante sua conversa com Trump na Casa Branca.
A resposta americana indicou não ser o momento de dar boas notícias ao governo brasileiro. A decisão contrariou a expectativa de que o encontro entre os presidentes pudesse reduzir a tensão diplomática entre os dois países.
A Receita Federal e o Ministério da Fazenda não comentaram o episódio. A missão segue sem nova data para ocorrer, embora a cooperação regular entre a Receita e o IRS continue, segundo fontes em Brasília.

Cooperação contra crime organizado entrou na reunião de Lula e Trump
Lula sugeriu a criação de grupos de trabalho sobre crime organizado durante a reunião bilateral. O governo brasileiro defendia maior intercâmbio de inteligência policial e financeira, com participação da Polícia Federal, da Interpol e de órgãos de controle dos dois países.
Naquele momento, o Brasil temia que Washington incluísse o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital na lista de organizações terroristas. O governo Lula sustentou que a medida não ajudaria a enfrentar o crime organizado transnacional e poderia abrir espaço para ações militares ou da CIA no país.
Trump anunciou em 29 de maio a classificação do CV e do PCC como organizações terroristas. Depois do veto à missão da Receita, o governo americano adotou novos tarifaços contra o Brasil, aprofundando a crise bilateral.
A escalada também envolveu a revogação do visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Viotti e uma tentativa de enviar dois funcionários do Departamento de Estado ao Brasil para reuniões com representantes do Tribunal Superior Eleitoral e com Flávio Bolsonaro. O governo brasileiro negou os vistos dos dois integrantes da equipe de Marco Rubio.
Os Estados Unidos atribuíram a revogação do visto de Viotti à demora do Brasil em conceder o agrément a Daniel Perez, indicado por Trump para a embaixada americana em Brasília. Representantes brasileiros responderam que Washington anunciou o nome do diplomata antes de solicitar formalmente o aceite, contrariando o procedimento diplomático usual.