
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta (21) uma cota adicional para importar até 300 mil toneladas de carne bovina destinadas à produção de carne moída, sem tarifa extra, durante 90 dias. A medida busca ampliar a oferta e reduzir os preços dos hambúrgueres no mercado americano.
Trump publicou a decisão na Truth Social, mas não informou quais países poderão acessar a nova cota nem detalhou como o governo aplicará a regra. “Enquanto trabalhamos para reconstruir esse rebanho e apoiar nossos pecuaristas, pelos próximos 90 dias, os Estados Unidos permitirão a importação de até 300.000 toneladas de carne destinada à produção de carne moída, sem a incidência de tarifas fora da cota”, escreveu.
O republicano afirmou esperar que a carne importada chegue ao mercado por um preço 25% menor que o praticado nos Estados Unidos. O anúncio mira especialmente a carne moída, matéria-prima de um dos alimentos mais consumidos no país.
Em junho, uma libra de carne moída, equivalente a 453,59 gramas, custava US$ 6,82 nos Estados Unidos, segundo o Bureau of Labor Statistics. O valor ficou 79% acima do registrado no início de 2019.

Rebanho reduzido e restrições ao gado mexicano elevaram os preços
O rebanho americano caiu ao menor nível em 75 anos, enquanto o preço do gado atingiu patamares recordes e pressionou o consumidor. A oferta também encolheu depois que os Estados Unidos suspenderam, em 2025, a maior parte das importações de gado do México por preocupação com a disseminação da bicheira-do-Novo-Mundo.
O zootecnista e consultor de mercado da Scot Consultoria Felipe Fabbri avalia que a abertura da cota pode reduzir o custo das indústrias, mas não assegura queda imediata ao consumidor. “É difícil afirmar que o preço do hambúrguer cairá para o consumidor americano, mas a expectativa é que a medida ajude, ao menos em parte, a conter novas altas e a reduzir o custo de produção das indústrias locais”, afirmou.
O Brasil poderá ganhar espaço se a nova cota incluir os frigoríficos brasileiros. O país participa hoje de uma cota compartilhada que costuma se esgotar nas primeiras semanas do ano; depois disso, a carne brasileira entra nos Estados Unidos sob tarifa extra-cota de 26,4%. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse que ainda não recebeu informações oficiais do governo americano.
Os Estados Unidos são o segundo maior mercado da carne bovina brasileira. De janeiro a julho de 2026, o Brasil embarcou 233,8 mil toneladas ao país, alta de 17,1% em relação ao mesmo período de 2025, com receita de US$ 1,54 bilhão; cerca de 50 frigoríficos brasileiros têm autorização para exportar ao mercado americano.