“Trabalhador ganhando mais faz a economia crescer”, diz Lula a empresários

Lula empresários
O presidente Lula junto do vice-presidente Geraldo Alckimin e ministros em jantar com empresários. Foto: Rubens Cavallari/Folhapress

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu salários maiores e a soberania do Brasil nesta sexta-feira (25), durante encontro com empresários em São Paulo. Ao apresentar suas prioridades para um eventual novo mandato, associou a expansão da economia à renda dos trabalhadores e criticou as pretensões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a América Latina.

“Eu sonho em transformar esse país num país de classe média”, declarou. Lula afirmou que os empresários precisam compreender que trabalhadores ganhando mais também podem ampliar os ganhos das empresas. Segundo ele, o aumento do poder de compra estimula o consumo, faz a produção crescer e exige que a agricultura produza mais.

O presidente vinculou essa defesa da renda ao compromisso com as contas públicas. “Estabilidade fiscal é uma coisa obrigatória”, afirmou, argumentando que os mais pobres pagam o preço dos desequilíbrios. Ao mesmo tempo, criticou cortes na Previdência e nas políticas de inclusão social que, em sua avaliação, tornam os pobres ainda mais pobres. Para Lula, responsabilidade fiscal e responsabilidade social precisam caminhar juntas.

Ao tratar das cobranças por juros menores, Lula lembrou que representantes do empresariado defenderam a independência do Banco Central. Recordou que manteve Henrique Meirelles à frente da instituição durante os oito anos de seus dois primeiros mandatos, apesar das pressões para substituí-lo.

Lula também sustentou a defesa da soberania afirmando que as terras raras e os minerais críticos precisam ser extraídos, transformados e industrializados no Brasil, em benefício dos interesses nacionais. Disse aceitar a participação de empresas estrangeiras, mas afirmou que elas devem trabalhar “sob o nosso comando”, com aquisição de conhecimento tecnológico, para evitar que o país continue como mero exportador.

Na área tecnológica, o presidente defendeu uma inteligência artificial brasileira, em vez da dependência das alternativas chinesas e estadunidenses. Também cobrou investimentos em educação e destacou a necessidade de ampliar a geração de energia para os centros de processamento de dados. Segundo Lula, a expansão dessas instalações não pode comprometer a eletricidade destinada ao consumo da sociedade.

Ao criticar Trump, Lula afirmou que o republicano aposta em se tornar dono da América Latina. Em resposta a essa pretensão, declarou que, enquanto estiver na Presidência, o país pertence ao “povo brasileiro”. Na terça-feira (22), já havia levado a defesa da soberania à Assembleia-Geral da ONU, onde afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.

O discurso também incluiu um pedido de votos para a chapa com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e a defesa de reformas política e do Judiciário. Lula propôs discutir a escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal e a possibilidade de fixar mandatos. Disse que não decidirá sozinho e que a sociedade precisa participar desse debate, sem apresentar um modelo fechado para a mudança.

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