
Uma cadeia de fornecimento de terras raras que começa no sul de Minas Gerais pode abastecer uma fabricante americana de ímãs financiada por um fundo do qual Donald Trump Jr. é sócio, segundo a Folha de S.Paulo. A mineradora australiana Meteoric Resources enviou amostras do Projeto Caldeira à Ucore Rare Metals, empresa que pretende processar o material na Louisiana, nos Estados Unidos.
O Projeto Caldeira abrange áreas dos municípios de Andradas, Caldas e Poços de Caldas. A Ucore negocia receber da Meteoric um mínimo de 3.000 toneladas anuais de material, caso a cadeia avance para a fase comercial.
O acordo entre a Meteoric e a Ucore começou com um memorando de entendimentos assinado em agosto de 2024. A empresa canadense planeja separar os elementos das terras raras e produzir óxidos destinados à indústria americana.
Em 11 de junho, a Meteoric informou ao mercado australiano que processou 43 toneladas de minério em sua planta piloto em Minas e produziu mais de 200 quilos de concentrado. Parte desse volume seguiu para testes de qualidade com potenciais compradores, entre eles a Ucore.

Da planta piloto em Minas à fábrica de ímãs nos Estados Unidos
A Meteoric classificou os resultados da planta piloto como “excepcionais” e afirmou ter extraído, em média, 71% dos elementos usados na fabricação de ímãs presentes no minério processado. A companhia estima que o projeto reúne 1,6 bilhão de toneladas de material a investigar em 78 títulos minerários e de pesquisa, numa área de 19,2 mil hectares.
A rota projetada prevê a produção de carbonato misto de terras raras em Minas Gerais, o processamento pela Ucore na Louisiana e a venda dos óxidos para a Vulcan Elements, na Carolina do Norte. A Vulcan fabrica ímãs usados em drones, satélites, equipamentos militares, semicondutores e carros elétricos.
Em agosto de 2025, a 1789 Capital, fundo que tem Donald Trump Jr. como sócio, investiu na Vulcan. Em março deste ano, a fabricante assinou um memorando com a Ucore para uma etapa de testes; as empresas preveem iniciar o fornecimento comercial a partir de 2027.
A exploração comercial no Projeto Caldeira ainda não começou. O Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais concedeu licença prévia à Meteoric em dezembro de 2025, válida por cinco anos, e a empresa pediu em maio a licença de instalação necessária para implantar a mina.
A empresa projeta uma operação superior a 20 anos, com produção média de 12.500 toneladas anuais de óxidos de terras raras.