“Tá provado?”: Malu Gaspar e Guedes batem boca sobre relatório da PF envolvendo Moraes

Malu Gaspar Octavio Guedes GloboNews
Os jornalistas, Malu Gaspar e Octávio Guedes. Foto: Reprodução

Malu Gaspar e Octávio Guedes protagonizaram uma discussão ao vivo no Estúdio i, da GloboNews, ao analisarem nesta terça-feira (1º) o relatório da Polícia Federal sobre as mensagens encontradas nos aparelhos de Daniel Vorcaro e atribuídas a conversas com Alexandre de Moraes. O embate começou quando Guedes questionou por que haveria motivo para investigar o episódio e ponderou que, até aquele momento, Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, apareciam apenas citados pelo ex-banqueiro.

“Ele pede proteção. Ele pede proteção para quem? Tá provado que foi para o Alexandre de Moraes?”, perguntou Octávio. Malu respondeu imediatamente: “Sim. É o que a Polícia Federal fez nesse relatório”. O comentarista pediu então que fossem apresentados os fatos, e a jornalista passou a explicar como os investigadores reconstruíram as mensagens encontradas no celular de Vorcaro.

Segundo Malu, já existiam dúvidas desde março sobre textos salvos pelo banqueiro no aplicativo de notas e depois enviados pelo WhatsApp. Na época, ela revelou uma mensagem em que Vorcaro perguntava “conseguiu bloquear?”, mas as respostas atribuídas a Moraes haviam sido enviadas no formato de visualização única e não puderam ser recuperadas. O novo relatório da PF procurou justamente identificar quais textos armazenados nas notas haviam sido enviados e quem eram seus destinatários.

A perícia identificou um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA” e relacionou a ele uma série de mensagens enviadas pelo banqueiro. Entre elas está a pergunta feita dois dias antes da prisão de Vorcaro: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Em outro momento, o ex-controlador do Master perguntou se havia chance de uma operação ocorrer na manhã seguinte. A PF afirmou que o conjunto das conversas permite inferir que Vorcaro recebia informações sobre o avanço da Operação Compliance Zero, embora as respostas de Moraes não estejam disponíveis no material divulgado.

Foi esse ponto que Malu destacou no debate. “A gente não vê a resposta do Alexandre de Moraes porque ele apagou, mas a gente vê que o Vorcaro está reagindo a informações recebidas do Alexandre de Moraes”, afirmou. A jornalista disse que o material mostra uma troca entre um ministro do Supremo e um investigado pela PF e pela PGR e argumentou que as circunstâncias justificam apuração. A conclusão sobre eventual irregularidade, porém, ainda depende da investigação e da análise do próprio STF.

Gonet e Andrei surgem em outra dimensão das mensagens. Vorcaro perguntou a Moraes se seria possível “reverter” determinada situação “com Paulo e Andrei”, numa referência, segundo a PF, ao procurador-geral da República e ao diretor-geral da corporação. Até agora, o material tornado público não demonstra que Gonet ou Andrei tenham atendido qualquer pedido ou participado de uma atuação em favor do banqueiro. O próprio Gonet pediu a nulidade do relatório, alegando que André Mendonça não poderia ter determinado à PF uma investigação sobre outro ministro sem provocação da PGR e sem autorização do plenário do Supremo.

A controvérsia ganhou outra dimensão porque, em março, o gabinete de Moraes havia negado que as mensagens então reveladas por Malu Gaspar fossem destinadas ao ministro. O relatório agora divulgado pela PF descreve os procedimentos usados para vincular parte dos registros ao contato atribuído a Moraes e reúne mensagens, referências a encontros e comunicações anteriores à prisão de Vorcaro. André Mendonça retirou o sigilo do material e afirmou que os novos elementos deverão ser submetidos ao plenário do STF. Moraes ainda não apresentou resposta pública detalhada sobre todo o conteúdo do relatório divulgado nesta terça.

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