SP: servidora ligada a prédio que caiu já era investigada por suspeita de enriquecimento

Viviane Rodrigues de Palma
A fiscal Viviane Rodrigues de Palma. Foto: Reprodução/TV Globo

A Prefeitura de São Paulo investiga o possível enriquecimento ilícito e uma eventual incompatibilidade patrimonial de Viviane Rodrigues de Palma, servidora da Subprefeitura da Penha que assinou em 2024 o documento relacionado à demolição do edifício que desabou neste mês e matou seis pessoas. A apuração administrativa é anterior à tragédia e segue sem conclusão, segundo o Uol.

A Controladoria-Geral do Município (CGM) informou que o procedimento deriva de uma sindicância patrimonial iniciada a partir de fatos de 2020. Viviane já foi interrogada, sua defesa apresentou manifestação e o processo tramita sob sigilo. Entre os pontos examinados estão a origem de recursos, movimentações financeiras e a possível existência de valores sem justificativa compatível.

Um despacho publicado em 2025 registrou que, caso fosse constatada inconsistência patrimonial, caberia à servidora demonstrar a origem lícita dos bens e das movimentações questionadas durante a instrução. A existência da investigação, portanto, não significa que enriquecimento ilícito ou ato de improbidade já tenham sido comprovados.

Penha
Bombeiros trabalhavam no resgate de sobreviventes após prédio demolir na Penha, em São Paulo (SP). Foto: Allison Sales/Folhapress

Viviane também passou a ser investigada em outra frente depois do desabamento. O documento que ela assinou em fevereiro de 2024 afirmava que uma demolição havia sido executada integralmente e que uma nova edificação estava em andamento. Após a tragédia, a CGM a ouviu e determinou seu afastamento cautelar por até 120 dias.

Em depoimento à Polícia Civil, a servidora afirmou que fez a vistoria apenas pela parte externa e que entendeu que a estrutura cuja demolição deveria verificar era uma construção anterior. Segundo sua versão, a construtora New Home a induziu a acreditar que a exigência havia sido cumprida. As declarações serão confrontadas com processos administrativos, documentos e outros elementos reunidos na investigação.

A Polícia Civil afirmou que Viviane e pessoas ligadas à construtora podem ser indiciadas por homicídio com dolo eventual. Até agora, porém, a possibilidade de indiciamento não equivale a responsabilização criminal, e a apuração sobre o desabamento permanece aberta.

A CGM informou ainda que elementos surgidos após a queda serão examinados nos procedimentos internos. A Prefeitura ressalta que o afastamento da servidora é cautelar e não representa antecipação de responsabilidade.

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