
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), reagiu à informação de que poderia ser constrangido por meio de uma tentativa de associá-lo ao ex-cunhado Chiquinho Feitosa, citado em investigações relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o Metrópoles, Gilmar afirmou que “pelas regras, você não faz pacto com chantagista. Ou você mata ou morre”. O recado chegou ao presidente da Corte, Edson Fachin.
A reação ocorreu depois de Gilmar pedir vista e suspender o julgamento sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. André Mendonça havia determinado a saída preventiva dos dois cargos, e Luiz Fux e Nunes Marques acompanharam o relator antes da interrupção da análise.
Ao justificar o pedido de vista, Gilmar questionou a competência da Segunda Turma e defendeu que o caso seja analisado pelo plenário do STF. O decano também apontou risco de desequilíbrio na disputa eleitoral e de decisões conflitantes dentro da própria Corte.
Após a manifestação do ministro, uma fotografia dele em um casamento na Itália foi divulgada. De acordo com o Metrópoles, Gilmar soube então que haveria uma tentativa de vinculá-lo a fatos relacionados a Chiquinho Feitosa. A reportagem não identifica quem estaria por trás da suposta pressão nem apresenta detalhes de eventual ameaça ou exigência feita ao ministro.

Chiquinho Feitosa aparece em documentos da investigação sobre a influência de Vorcaro no Congresso. Em decisão de André Mendonça, investigadores registraram que Vorcaro mandou recolher minutas relacionadas a propostas que posteriormente foram associadas a projetos apresentados por Feitosa e pelo deputado Arnaldo Jardim. Um deles tratava do mercado de créditos de carbono.
O registro dessa relação não demonstra participação de Gilmar nos fatos investigados. Feitosa é irmão de Guiomar Feitosa, ex-mulher do ministro, e a tentativa de aproximar os dois contextos é justamente o que provocou a reação atribuída ao decano. Também não há, no material divulgado, comprovação de que Gilmar tenha sofrido efetivamente uma chantagem.
A movimentação ocorre no momento mais agudo da crise interna do Supremo. O afastamento de Andrei por Mendonça desencadeou reação dentro da PF, questionamentos jurídicos e uma disputa sobre qual instância da Corte deve decidir o caso. O prazo dado por Fachin para manifestações das autoridades envolvidas nas apurações termina em 14 de setembro.