Sem candidato do PT, 204 mil digitam 13 e anulam voto para governador no Rio

Eduardo Paes Lula
O prefeito do Rio de Janeiro (RJ) Eduardo Paes (PSD) e o presidente Lula (PT). Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert

Cerca de 204 mil eleitores digitaram o número 13 na votação para governador do Rio de Janeiro e anularam seus votos no primeiro turno. O levantamento, feito pelo Globo a partir dos Registros Digitais de Voto das urnas, aponta um volume que, se tivesse sido destinado a Eduardo Paes (PSD), garantiria uma segunda rodada mesmo com a eventual exclusão dos votos de Anthony Garotinho (Republicanos).

O PT não lançou candidato próprio ao governo estadual e apoiou Paes, que concorria com o número 55. A digitação do 13 respondeu por aproximadamente 30% dos votos nulos para o cargo. Entre os números que produziram votos inválidos, ficou atrás apenas do 00, utilizado por cerca de 344 mil eleitores.

Douglas Ruas (PL) recebeu aproximadamente 4,2 milhões de votos, equivalentes a 49,27% dos válidos no cálculo apresentado pelo jornal. Paes teve cerca de 3,7 milhões. O resultado, porém, depende dos efeitos da disputa judicial sobre o registro de Garotinho, que recebeu aproximadamente 274 mil votos.

Garotinho Douglas Ruas
Anthony Garotinho e Douglas Ruas, candidatos ao governo do Rio de Janeiro. Foto: Lucas Figueiredo/Band

Na segunda-feira (5), Garotinho pediu para desistir do recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o indeferimento de sua candidatura. Se seus votos forem definitivamente anulados, a participação de Ruas no total de válidos subiria para 50,88%, segundo o levantamento, permitindo uma vitória em primeiro turno.

A simulação do O Globo mostra que os 204 mil votos não seriam suficientes para Paes ultrapassar Ruas, mas mudariam a necessidade de segundo turno. Se todos tivessem sido votos válidos para Paes, Ruas ficaria com 49,67%, mesmo excluindo os votos de Garotinho. Segundo o jornal, bastaria que aproximadamente 72% daquele contingente tivesse escolhido o candidato do PSD para impedir a vitória na primeira rodada.

Os registros, contudo, não permitem concluir que esses eleitores pretendiam votar em Paes nem que a digitação do 13 tenha sido um erro. Entre as possibilidades estão a anulação deliberada por rejeição ao candidato apoiado pelo PT ou uma confusão sobre o cargo exibido na urna. A comparação é hipotética: não demonstra a intenção dos eleitores nem transforma votos nulos em votos que possam ser transferidos a outro candidato.

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