
Leonardo Sakamoto comentou no UOL News dessa sexta-feira (25) sobre as diversas conversas e a rede política de Vorcaro. O assunto foi motivado pela revelação das trocas de mensagens entre o banqueiro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que chama Daniel de “meu amor”.
O interessante, contudo, é que o ‘Serviço de Apoio ao Consumidor’ do Vorcaro tinha vários nomes. Com o “meu amor” do Alcolumbre, já dá até para pedir para o Skank gravar uma música para o Vorcaro. O SAC do Vorcaro tinha vários nomes, mas ao que tudo indica, o mesmo fim.
A música do Skank é o chamamento para pedir para o garçom mais uma rodada de cerveja. No caso do segundo, a república brasileira vai investigar se era para solicitar valores e favores para o banqueiro, que podiam ser R$ 130 milhões, R$ 427 milhões, destravar negócios de mineração ou mandar mais ‘suíças’ para as festas.
A doçura de todos esses apelidos disfarça a acidez de uma situação que precisa ser investigada: uma relação entre o capital privado e altas esferas do poder.
Não imaginamos um cidadão médio brasileiro sendo chamado pelo presidente do Senado de ‘meu amor’, ou pelo senador Flávio Bolsonaro de ‘irmão’, ou de apelidos diminutivos simpáticos pelo Nikolas Ferreira, e por aí vai.

Vorcaro não inventou no Brasil o serviço de atendimento ao consumidor na política; apenas o operou com eficiência.
No Brasil, para o cidadão comum, tem fila, protocolo, musiquinha de espera irritante. Mas para cá, para o capital grosso, para quem tem dinheiro que nem o Vorcaro, por mais que essa grana tenha sido surrupiada de cofres públicos e privados, a linha direta com ‘irmãos’, ‘amigões’, ‘Danis’, ‘Vorcarinhos’ era constante.
É uma vitória não só para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, mas é também uma derrota para o próprio ministro André Mendonça. Ao colocar Gonet na roda, ele também queria constrangê-lo, porque o procurador-geral tem uma relação muito forte com Gilmar Mendes e com Alexandre de Moraes. Ele também queria constrangê-los no meio desse processo.
O mais doido nessa história é que o ministro André Mendonça assume que ‘família miliciana’ é a do Flávio Bolsonaro. Eu estava lendo aqui a decisão. No item 8 do texto, ao afirmar que a família do representante resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida, a postagem não se limita a formular juízos abstratos.