Sete anos após desabamento do Edifício Andrea, bombeiros e familiares homenageiam vítimas em Fortaleza

Ato inter-religioso reuniu familiares, sobreviventes e representantes de diferentes crenças no terreno onde ficava o prédio; tragédia deixou nove mortos e sete feridos em outubro de 2019

O Corpo de Bombeiros Militar do Ceará realizou, na manhã desta quinta-feira (15), uma cerimônia em homenagem às vítimas do desabamento do Edifício Andrea, ocorrido há sete anos no bairro Dionísio Torres, em Fortaleza. A solenidade reuniu familiares, sobreviventes, antigos moradores, vizinhos e representantes de diferentes tradições religiosas no terreno onde ficava o edifício. As informações são do Diário do Nordeste, em reportagem publicada por Italo Cosme.

A cerimônia ocorreu na data e no horário que marcam o início da tragédia, em 15 de outubro de 2019, por volta das 10h28. O prédio de sete andares desabou e deixou nove pessoas mortas e outras sete feridas. Desde então, a lembrança das vítimas e as consequências do episódio permanecem na vida de familiares e sobreviventes.

Organizado anualmente pela 2ª Companhia do 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros, o ato começou com o hasteamento da bandeira e um minuto de silêncio. Em seguida, representantes de diferentes religiões participaram de um momento de oração e homenagem. Familiares das vítimas, um militar e a síndica de um edifício vizinho também discursaram.

Ao final, nove rosas foram entregues aos participantes, em referência às pessoas que perderam a vida no desabamento. A presença de lideranças religiosas de diferentes crenças marcou a cerimônia, que buscou reunir a comunidade em torno da memória das vítimas e das famílias atingidas.

O capitão Aguiar, do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará, afirmou que o episódio deixou marcas na história do estado e destacou a mobilização de pessoas durante os trabalhos de resgate. “A gente sabe que o desabamento mostrou o quanto o povo cearense é um povo solidário”, declarou. O militar também ressaltou a união demonstrada durante o atendimento à ocorrência.

Participaram do momento inter-religioso o capitão Rocha, representando a comunidade evangélica; a missionária Jéssica Lopes, da comunidade católica Shalom; e Luciano Klein, representante da Comunidade Espírita.

Resgate durou 103 horas

O desabamento do Edifício Andrea mobilizou equipes de emergência, profissionais de saúde, agentes de segurança e voluntários em uma operação que durou 103 horas. As buscas se estenderam por cinco dias e foram concluídas em 19 de outubro de 2019.

A dimensão do trabalho de resgate e a necessidade de localizar moradores sob os escombros fizeram da ocorrência uma das mais marcantes da história recente de Fortaleza. Além das nove mortes, sete pessoas sobreviveram, algumas delas com ferimentos e consequências que exigiram cuidados posteriores.

A tragédia também atingiu pessoas que estavam nas proximidades do edifício. Sobreviventes e familiares precisaram lidar com perdas materiais, mudanças abruptas nas condições de moradia e impactos físicos e emocionais que permaneceram depois do encerramento das buscas.

Perícia apontou falhas na estrutura e na reforma

A investigação sobre as causas do desabamento identificou problemas relacionados à conservação do prédio e a intervenções realizadas em seus pilares de sustentação.

Laudo da Perícia Forense do Estado do Ceará, divulgado em janeiro de 2020, apontou falhas na reforma dos pilares como fator determinante para a queda. Entre os problemas identificados estavam técnicas inadequadas de execução, ausência de escoramento dos pilares, falta de documentação técnica da reforma, sobrecarga na cobertura e manutenção insuficiente ao longo dos anos.

Registrado em cartório em 1982, o edifício tinha aproximadamente 37 anos quando desabou. Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público do Ceará em 2021, o prédio nunca havia passado por inspeção predial.

Em janeiro de 2020, a Polícia Civil indiciou dois engenheiros, José Andreson Gonzaga dos Santos e Carlos Alberto Loss de Oliveira, e o pedreiro Amauri Pereira de Souza. A investigação reuniu depoimentos de testemunhas e sobreviventes, além de imagens de câmeras de segurança que registraram intervenções na estrutura pouco antes do desabamento. O indiciamento, por si só, não equivale a uma condenação judicial.

Terreno abriga unidade dos Bombeiros

Após a tragédia, o terreno onde ficava o Edifício Andrea foi destinado à instalação de uma unidade do Corpo de Bombeiros. A proposta de ocupação do local foi anunciada em dezembro de 2019, como parte das medidas relacionadas à área onde ocorreu o desabamento.

Em 2023, depois de uma disputa judicial, foi paga indenização pela desapropriação do terreno, em um valor informado de aproximadamente R$ 1,7 milhão, distribuído entre 12 famílias.

A realização anual da homenagem no local mantém a lembrança das vítimas vinculada ao espaço onde ocorreu o desabamento. Sete anos depois, a cerimônia reúne pessoas que viveram diretamente a tragédia e integrantes da comunidade que acompanharam os dias de buscas e resgate.

A data também mantém em evidência a importância da manutenção preventiva dos edifícios, da fiscalização das condições estruturais e da responsabilidade técnica em obras e reformas. As conclusões periciais sobre o Edifício Andrea apontaram uma combinação de falhas que comprometeu a estabilidade da construção e culminou na queda do prédio.

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