Sakamoto: ligado ao Master, Kassio pode se tornar um herói bolsonarista

Jair Bolsonaro e Kassio Nunes Marques. Foto: Reprodução

Por Leonardo Sakamoto, publicado no UOL

A reação da extrema direita diante do escândalo do Banco Master escancara a hipocrisia sobre a corrupção de forma bastante didática. A militância esbraveja (e com a razão que qualquer cidadão teria de cobrar explicações) sobre o contrato de R$ 130 milhões firmado pela esposa do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, além das promíscuas mensagens enviadas a ele pelo banqueiro. A cabeça de Moraes é o troféu definitivo desejado pelo bolsonarismo.

No entanto, o silêncio é constrangedor quando o nome na roda é Kassio Nunes Marques, indicado por Flávio para Jair o colocar no STF. A chamada “Turma do KN” teria fechado um contrato muito mais suculento, de R$ 427 milhões, com o mesmo Vorcaro. E a suposta generosidade do banqueiro teria incluído o pagamento dos serviços de uma garota de programa e o aluguel de mansão de superluxo ao ministro. Mas quem se importa?

Para o bolsonarismo-raiz, a questão central nunca foi o combate à corrupção, o compadrio com banqueiros ou a moralidade na corte suprema. A única dor real é a condenação de Jair Bolsonaro e de seus devotos por sua tentativa de golpe de Estado.

Flávio Bolsonaro segura um retrato de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Adriano Machado/Reuters

O gabinete do ministro afirmou que um pedido de revisão criminal apresentado pela defesa de Bolsonaro, que pode soltá-lo, será analisado logo após o segundo turno. Se Flávio ganhar, ele sabe que a chance de ter êxito no plenário da corte cresce com membros do STF arregando diante do novo governo, que pode cassar ministros no Senado.

Com manobras como essa e eventuais ajudas eleitorais, Kassio teria seus pecados instantaneamente lavados nas águas do fanatismo político. Pode, quiça, ser aclamado como “quase mito” pela extrema direita. Afinal, perdoa-se absolutamente qualquer escândalo, orgia ou cascalho em troca da impunidade de seu líder, mesmo que haja 427 milhões de razões apontando que a indignação deles é de fachada.

Flávio Bolsonaro sabe bem disso, pois há 130 milhões de motivos para ele dar explicações sobre o Master, mas seus seguidores se contentam em se alimentar-se de silêncio.

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