Bolsonaristas de universidade do PR ameaçam “jogar bomba” em ato pró-Lula

Bolsonaristas de grupo da UEL ameaçam “jogar boba” em ato pró-Lula. Foto: Reprodução

Um grupo de WhatsApp chamado “Nós da UEL [Universidade Estadual de Londrina] com Flávio Bolsonaro” reuniu ataques contra políticos de esquerda, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e estudantes da própria instituição, além de uma mensagem que fazia referência a um ataque com bombas na instituição. As publicações circularam antes de um ato de apoio ao presidente Lula (PT), programado para a noite desta quinta (8) no Restaurante Universitário. A informação é do site Bonde News.

Criado na quarta (7), o grupo tinha cerca de 700 integrantes até a tarde desta quinta. As mensagens também incluíam manifestações xenofóbicas contra nordestinos e ataques a estudantes que organizavam a mobilização pró-Lula.

Um estudante de Agronomia da UEL que administrava o grupo disse que ele surgiu como espaço de conversas e brincadeiras entre alunos do curso e ganhou escala após o compartilhamento do link. Ele deixou a administração e saiu do grupo depois de ser procurado.

“Aquele grupo não é nada sério, não é movimento nenhum. Surgiu de uma resenha diária da agronomia que acabou tomando proporção imensa. Mas também não dá para aceitar esse tipo de coisa”, afirmou o estudante, que não quis se identificar. Ele disse ter apagado a mensagem de apoio ao nazismo assim que a encontrou.

Bolsonaristas da UEL fazem apologia ao nazismo em grupo de WhatsApp. Foto: Reprodução

PM não registrou denúncia sobre a referência a bombas

O autor da mensagem sobre o suposto ataque com bombas afirmou que apenas encaminhou um conteúdo escrito em outro grupo e alegou que a publicação tinha “tom cômico”. Em resposta, ele negou qualquer organização de ação contra a universidade e pediu desculpas pelo que classificou como mal-entendido.

O perfil do estudante nas redes sociais o identifica como aluno de Direito da PUC-PR. O capitão Emerson Castro, do 5º Batalhão da Polícia Militar, informou que nenhuma denúncia ou ocorrência sobre a suposta ameaça havia chegado à corporação até aquele momento.

“Qualquer solicitação e informação, a direção da UEL deve repassar oficialmente à polícia”, disse Castro. A Polícia Militar também recebeu questionamento sobre eventual reforço de segurança para a manifestação estudantil.

O jovem que publicou mensagens de apoio ao nazismo alegou que fazia uma provocação política. “Da minha parte, eu estava brincando. Estava imitando aqueles esquerdistas dessa faculdade que ficam chamando os bolsonaristas de fascistas”, afirmou. Ele disse não ter concluído a escola e, portanto, não seria aluno matriculado na UEL.

A UEL informou que definiu um plano de contingência para resguardar pessoas e o patrimônio físico, com atuação da Prefeitura do Campus, da Procuradoria Jurídica e dos Centros de Estudos. A universidade afirmou que seu estatuto veda violência e que manifestações pacíficas são admitidas, desde que informadas previamente à administração para organização da segurança e da logística interna.

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